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EUA e Qatar pressionam Europa para rever regras das emissões de metano nas importações de petróleo e gás
Países exportadores alertam que novas regras das emissões de metano podem vir a perturbar o abastecimento de combustíveis à Europa. Comissário da Energia da UE garante que não irá reabrir o processo e que está “muito orgulhoso” do regulamento.
25 Jun 2026 - 11:01
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Dan Jorgensen, comissário europeu da Energia, e Chris Wright, secretário da Energia dos EUA | Foto: Instagram
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Dan Jorgensen, comissário europeu da Energia, e Chris Wright, secretário da Energia dos EUA | Foto: Instagram
Os principais exportadores de energia, os Estados Unidos e o Qatar, estão a pressionar a União Europeia (UE) para que reveja as regras previstas para 2027 acerca das emissões de metano nas importações de petróleo e gás, alertando que as novas políticas podem vir a perturbar o abastecimento de combustíveis à Europa.
Numa carta dirigida aos líderes da UE, os ministros da Energia dos Estados Unidos, Qatar, Nigéria e Argélia, países fornecedores de gás à Europa, apelaram à UE para suspender a lei e introduzir apenas “restrições específicas”, de acordo com a Reuters.
A partir do próximo ano, o regulamento da UE exigirá a monitorização e verificação das emissões de metano associadas aos fornecimentos de combustíveis entregues ao bloco europeu. Estas novas regras visam reduzir as fugas de gases com efeito de estufa (GEE). No entanto, a UE tem enfrentado forte oposição da indústria e de fornecedores estrangeiros.
Atualmente, o metano é o segundo maior responsável pelo aquecimento global, depois do dióxido de carbono.
“Os importadores europeus já iniciaram o processo de compra de petróleo e gás natural que será armazenado para entrega em 2027 e, neste momento, não existe um caminho viável para cumprir o regulamento”, afirmam na carta, de acordo com a Reuters.
O secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou nesta quarta-feira, durante o Fórum Global de Energia da Reuters, em Nova Iorque, que a regulação “louca” da UE sobre o metano vai tornar “absolutamente impossível importação de gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos EUA e dos outros aliados que assinaram a carta.
“Haverá um risco significativo de apagões ou dificuldades de aquecimento já neste inverno. Não há qualquer razão para isso», alerta o secretário norte-americano.
O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, afirmou estar aberto a discutir formas de facilitar a implementação das regras, mas sem reduzir a ambição da política, segundo a Reuters.
“Não vou reabrir o processo. Estou muito orgulhoso do nosso regulamento sobre o metano”, garante o comissário. “Temos sentido muita pressão por parte de empresas internacionais e de países como os Estados Unidos, e a resposta para eles é a mesma: vamos ajudar tanto quanto possível a aplicar a legislação de forma pragmática, mas temos de defender a lei”, acrescentou.
Mas as pressões para alterar a regulação também têm partido de dentro da UE. Onze estados-membros, incluindo Itália, República Checa, Países Baixos e Polónia, pediram separadamente a Bruxelas que adiasse as regras durante três anos, devido às perturbações no abastecimento energético relacionadas com a guerra envolvendo o Irão.
Segundo a Reuters, os ministros da Energia da UE devem discutir este pedido na sexta-feira desta semana (26).
Apesar dos avisos dos Estados Unidos e do Qatar, uma análise divulgada esta semana pela Rystad para o Fundo de Defesa Ambiental concluiu que a oferta de gás compatível com as regras previstas é três vezes superior ao volume atualmente importado pela UE.
“As conclusões são claras: as pressões atuais são de natureza geopolítica, e não regulatória. Enfraquecer o regulamento não reduziria os preços nem melhoraria a segurança do abastecimento”, afirma Léa Pilsner, diretora de Política Energética da UE no Fundo de Defesa Ambiental.
“O foco deve agora centrar-se numa implementação pragmática por parte dos estados-membros e da indústria, que reforce a transparência, a resiliência e a independência energética da Europa a longo prazo”, acrescenta.
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