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Minerais críticos: concentração da oferta e restrições às exportações agravam riscos no abastecimento

China e Indonésia foram responsáveis por mais de 75% do crescimento da oferta refinada nos últimos dois anos, alerta a Agência Internacional da Energia. Investimento também está a cair, mas diversificação aumenta.

16 Jul 2026 - 08:51

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Foto: Freepik

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A concentração da produção de minerais críticos em poucos países, o reforço das restrições às exportações e a redução do investimento estão a aumentar os riscos para a segurança do abastecimento global, conclui a Agência Internacional da Energia (AIE) no relatório Global Critical Minerals Outlook 2026, divulgado nesta quinta-feira. A Indonésia, na refinação de níquel, e a China, nos restantes minerais críticos para a transição energética, concentraram mais de 75% do crescimento da oferta refinada mundial nos últimos dois anos, aumentando a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento globais.

Segundo a AIE, os preços dos minerais críticos recuperaram em 2025 e no início de 2026, após vários anos de descida, refletindo condições de oferta mais restritivas e novas limitações às exportações impostas pelos principais produtores. Ao mesmo tempo, o investimento no setor recuou 9% em 2025, interrompendo um ciclo de crescimento consecutivo.

O relatório conclui que a concentração geográfica das cadeias de abastecimento continua a aumentar, sobretudo na refinação. Nos últimos dois anos, a Indonésia concentrou mais de três quartos do crescimento da oferta refinada de níquel, enquanto a China manteve a sua posição dominante nos restantes minerais energéticos essenciais. Nos mercados do manganês, níquel e grafite, praticamente todo o aumento da oferta teve origem no fornecedor dominante, salienta a AIE.

Apesar deste cenário, a agência identifica sinais de diversificação. Os compromissos de financiamento público quadruplicaram entre 2023 e 2025, atingindo cerca de 55,3 mil milhões de euros. Na refinação de terras raras, novos projetos nos EUA e o aumento da produção na Malásia reduziram a quota do principal fornecedor de mais de 90% em 2023 para 85% em 2025, podendo descer para 70% até 2035 caso os projetos previstos avancem.

A AIE alerta, contudo, que a expansão dos controlos às exportações transformou os riscos associados à concentração da oferta numa ameaça imediata para a segurança económica. Recorde-se que as restrições impostas pela China às exportações de terras raras obrigaram alguns fabricantes automóveis a reduzir ou suspender temporariamente a produção. Caso as medidas sejam plenamente implementadas, poderão colocar em risco cerca de 5,5 biliões de euros de produção industrial anual fora da China, aponta a agência internacional.

Necessidade de diversificação

“A nossa análise mais recente mostra que enormes quantidades de valor económico dependem de volumes relativamente reduzidos de minerais críticos, cujas cadeias de abastecimento continuam altamente concentradas e, por isso, vulneráveis”, destaca Fatih Birol, diretor executivo da AIE. Porém, acrescenta, “existem sinais encorajadores de progresso, incluindo nas cadeias de abastecimento de terras raras, onde políticas específicas e apoio ao investimento estão a começar a produzir resultados”. Para Birol, “embora uma oferta mais diversificada possa implicar custos superiores, estes podem ser encarados como um prémio pela segurança mineral num período de incerteza geopolítica”.

A AIE sublinha que os minerais críticos representam geralmente uma parcela reduzida do preço final dos produtos, o que significa que o custo adicional associado à diversificação das cadeias de abastecimento poderá ser absorvido com um impacto limitado para os consumidores.

No caso dos veículos elétricos, por exemplo, os minerais críticos representam cerca de 25% do custo de uma célula de bateria, mas apenas aproximadamente 3% do preço final de um automóvel elétrico médio. Já as terras raras correspondem a cerca de 40% do custo dos ímanes permanentes, mas representam menos de 1% do valor total de um veículo.

Porém, o relatório destaca ainda que a diversificação não depende apenas da criação de novos projetos de extração. É igualmente necessário ultrapassar limitações tecnológicas e de equipamento, bem como desenvolver competências e formar mão de obra especializada.

A AIE apela a uma coordenação internacional mais robusta para reforçar a segurança do abastecimento de minerais críticos.

 

 

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