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Moçambique regista aumento de 9% na produção de energia elétrica em três meses

O aumento da produção de eletricidade em Moçambique, essencialmente pela barragem de Cahora Bassa, correspondeu a 25,3% da estimativa para todo o ano de 2026. As exportações de energia elétrica por Moçambique cresceram 5,1%.

11 Jun 2026 - 09:49

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Foto: EDM Moçambique

Foto: EDM Moçambique

A produção de eletricidade em Moçambique aumentou 9% no primeiro trimestre, recuperando dos condicionalismos pela seca prolongada e garantindo a geração de 4.098 GigaWatt-hora (MWh) até final de março.

De acordo com dados da execução trimestral do setor, compilados nesta quinta-feira pela agência Lusa, esta produção, sobretudo assente na hidroeletricidade, de que o país é o maior produtor da África austral, essencialmente pela barragem de Cahora Bassa, correspondeu a 25,3% da estimativa para todo o ano de 2026.

“Este crescimento na produção deve-se em grande medida ao bom desempenho das centrais hídricas que, para o período em análise, registaram um grau de execução de 26,2% e um crescimento de 10,1% face ao mesmo período de 2024”, refere o mesmo documento.

Assim, só as centrais hídricas produziram 3.292 GWh no primeiro trimestre, “desempenho está em grande medida associado ao maior encaixe das barragens obtidas na época chuvosa, o que permitiu principalmente que a central de Corumana, uma província de Maputo, no sul, tivesse um bom desempenho”.

Quase toda a produção hidroelétrica de Moçambique provém de Cahora Bassa, na província de Tete, centro do país, com uma potência instalada de 2075 MegaWatts, “complementada por outras pequenas barragens” sob gestão da Eletricidade de Moçambique (EDM).

Além disso, a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) é a maior exportadora de eletricidade de Moçambique, que no total, associada à produção pela EDM, “registou um máximo” de 1.768 GWh nos primeiros três meses do ano.

Globalmente, as exportações de energia elétrica por Moçambique cresceram 5,1% no primeiro trimestre, face ao mesmo período de 2025, contudo, o desempenho foi influenciado “pelo abrandamento das exportações efetuadas pela EDM”.

Essa redução na exportação de energia elétrica pela energética estatal “deveu-se em parte à redução das exportações para os mercados SAPP, o mercado regional de eletricidade integrado da África austral, e para o Botswana, que no período em análise não efetuou nenhuma aquisição” na rede elétrica moçambicana.

A albufeira da barragem de Cahora Bassa recuperou para 56% a capacidade de armazenamento de água, após mínimos históricos, com a administração a admitir, em 05 de maio, uma produção superior ao previsto em 2026.

Numa informação sobre o desempenho de 2025 e previsões para os próximos meses, a HCB referiu, anteriormente, que as perspetivas “são encorajadoras, refletindo a recuperação dos níveis de armazenamento de água na albufeira, atualmente situados em 56%”.

Este nível de armazenamento “poderá viabilizar um aumento da produção para níveis superiores ao planificado”, que foi de 11.716,76 GWh, correspondendo a um crescimento superior a 7,29% em relação ao ano de 2025.

“A empresa continuará focada na gestão prudente dos recursos, na eficiência operacional e na adoção de soluções tecnológicas que reforcem a fiabilidade do sistema energético”, aponta, acrescentando que 2025 “ficou marcado por desafios operacionais decorrentes da redução contínua do armazenamento de água” na albufeira de Cahora Bassa, que, no final da época chuvosa 2024/2025, era de 26,01%.

“Em resposta, a empresa implementou um programa de restrição e recuperação que permitiu melhorar os níveis de armazenamento para 27,23% a 31 de dezembro de 2025, acima dos 21,19% registados no período homólogo de 2024, sinalizando uma trajetória de recuperação”, afirma a HCB, recordando a produção de 10.921 GWh no ano passado, menos 30% em termos homólogos.

A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2.700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros, contando com quase 800 trabalhadores.

A produção de eletricidade em Moçambique já tinha recuado 25% em 2025, para 14.408,3 GWh, influenciada pela falta de água na albufeira da HCB, após o “pior registo pluviométrico” em 43 anos, segundo dados do Governo.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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