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Monitorização do rio Lis confirma recuperação ecológica após descarga de esgotos
Estudo identifica 12 espécies de peixes no curso de água, incluindo a enguia-europeia e o ruivaco, e aponta impactos agudos, localizados e de curta duração da avaria na estação elevatória de Monte Real.
11 Set 2026 - 08:40
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A monitorização da fauna piscícola no Lis, após a avaria numa estação elevatória de Leiria ter obrigado à descarga de efluentes não tratados para o rio, confirma a recuperação ecológica do curso de água.
Novos resultados no âmbito do Estudo de Avaliação de Impactos Ambientais, feito na sequência descarga acidental, indicaram que foram identificadas “12 espécies de peixes, oito nativas e quatro não indígenas, entre as quais a enguia-europeia, classificada como ‘em perigo’, e o ruivaco, classificado como ‘vulnerável’”.
“Os dados revelam diferenças na composição das comunidades piscícolas ao longo do rio, maior riqueza e diversidade no ponto intermédio e um aumento da proporção de espécies não indígenas no sentido montante-jusante”.
O documento foi ontem apresentado na última reunião da comissão de acompanhamento criada para avaliar a avaria, em agosto de 2025, na estação elevatória de Monte Real (Leiria), os seus impactos e a necessidade de investimentos, que se realizou na estação de tratamento de águas residuais do Coimbrão, concelho de Leiria.
Em 12 de agosto de 2025, uma avaria naquela estação elevatória, gerida pelas Águas do Centro Litoral (AdCL), levou à descarga de milhares de metros cúbicos de efluentes não tratados para o rio Lis, que nasce no concelho de Leiria e desagua na Praia da Vieira (Marinha Grande) e em valas de rega.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estimou que foram lançados ao rio entre 20 mil e 25 mil metros cúbicos de esgoto bruto.
Na ocasião, os banhos na Praia da Vieira foram interditados e o Município de Leiria desaconselhou atividades no troço do rio Lis a jusante de Monte Real, como captações para rega, banhos e pesca.
Os resultados da monitorização da fauna piscícola feita no rio Lis decorrem no âmbito do Estudo Técnico para Avaliação de Danos Ambientais e Medidas de Mitigação, adjudicado pela AdCL ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, cujo relatório final foi apresentado em janeiro.
O relatório assinalou que o impacto do acidente na estação elevatória de Monte Real foi “agudo, localizado e de curta duração”, num contexto mais amplo, caracterizado por pressões ambientais crónicas que afetam historicamente a bacia hidrográfica do rio Lis, sobretudo de origem agrícola, pecuária, urbana e hidromorfológica.
E, apesar dos impactos aquando da descarga acidental, a qualidade da água do rio Lis apresenta globalmente um estado ecológico classificado como ‘razoável’, sendo que os principais fatores limitantes estão relacionados com “concentrações elevadas de nutrientes, nomeadamente azoto e fósforo, e com contaminação microbiológica persistente, refletindo pressões difusas e crónicas existentes na bacia”.
Este relatório sugeriu também medidas de mitigação e requalificação, como a redução de pressões difusas e pontuais sobre a qualidade da água, a melhoria da eficiência e da redundância operacional das infraestruturas de drenagem e elevação, a requalificação hidromorfológica e ecológica do rio e a implementação de um plano de monitorização.
Integram a comissão de acompanhamento as Câmaras de Leiria e da Marinha Grande, Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria, Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis, Junta de Freguesia da Vieira de Leiria, União das Freguesias de Monte Real e Carvide, AdCL e Secretaria de Estado do Ambiente, APA. Representantes destas duas últimas não estiveram presentes na reunião.
O presidente da CIM, Jorge Vala, adiantou que o documento final do estudo vai ser remetido à tutela e APA, tendo sido decidido o encerramento da comissão e a criação de um grupo de trabalho de acompanhamento dos rios Lis e Lena, este último nasce em Porto de Mós e é afluente do primeiro, “com eventual monitorização”.
“Foi também falada a possibilidade de termos analisadores constantes ao longo, nomeadamente, do rio Lis”, declarou Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, sugestão que vai ser remetida à APA, perante a qual se vai insistir na “necessidade urgente de dar corpo à manutenção do leito do Lis”.
O novo grupo de trabalho, eventualmente com as mesmas entidades e cooptando outras, visa “ter um acompanhamento mais sistemático sobre a problemática” dos rios Lis e Lena, acrescentou Jorge Vala.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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