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Novo guia concilia metas de energia renovável com conservação da natureza
Portugal continental tem áreas de baixo conflito suficientes para atingir mais de cinco vezes o objetivo de energia solar para 2030, segundo o Guia de Smart Siting.
22 Jan 2026 - 14:23
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A ZERO e The Nature Conservancy (TNC) acabam de lançar o Guia de Smart Siting (localização adequada) para Portugal, um estudo científico de modelação e mapeamento que visa classificar o território português quanto ao seu potencial de desenvolvimento de projetos de energia renovável e quanto ao seu risco de conflitos com a biodiversidade e com os valores sociais e comunidades.
O guia resulta de dois anos de um processo participativo que envolveu a auscultação de mais de 70 organizações do setor, incluindo organizações não governamentais, promotores de energias renováveis, a APREN e instituições públicas, tal como o LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia, a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, o ICNF e a DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia.
Esta metodologia de Smart Siting já foi aplicada pela TNC nos Estados Unidos e na Índia, tendo servido para criar mapas nacionais na Croácia, Montenegro e Roménia.
Segundo este guia, Portugal continental tem áreas de baixo conflito suficientes para atingir mais de cinco vezes o objetivo de energia solar para 2030. No que toca à energia eólica terrestree, o país pode cumprir até 70% do objetivo em locais de baixo conflito. Para atingir o restante, o guia recomenta a aposta em reequipamento e sobreequipamento de turbinas mais antigas.
No campo da rede e sociedade, os dados potenciam a orientação da modernização da rede para zonas de elevado potencial e baixo conflito, integrando o mapeamento de valores sociais e o envolvimento das comunidades.
“No país, várias centrais solares de grande dimensão têm gerado forte contestação e mobilização popular em muitos aspetos, resultado da seleção de áreas com fortes impactes ambientais e sociais. Este estudo constitui um contributo muito importante para ultrapassar estes conflitos, conciliando produção de eletricidade renovável com o respeito pela paisagem, biodiversidade e populações locais, apontando diretrizes e condições regulatórias para se atingir um desejável equilíbrio”, refere Francisco Ferreira, presidente da Direção da ZERO.
Segundo os promotores do documento, o guia pode servir de base para decisões políticas e técnicas, sobretudo no momento atual de definição das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER). E defendem que desencorajar o desenvolvimento em zonas de potencial conflito “não só é justo e benéfico para as populações e biodiversidade, mas também para os promotores, permitindo projetos mais céleres, com menos contestação e melhor reputação, acelerando, em última análise, a transição energética”.
“À medida que Portugal lidera as ambições europeias de energias renováveis, pode também ser um líder ao mostrar que a ambição climática e a proteção da natureza podem andar de mãos dadas”, sublinha Elif Gündüzyeli, diretora do Programa de Energia Renovável para a Europa da TNC. E acrescenta que o Guia de Smart Siting “complementa o trabalho existente no país, demonstrando como a ciência rigorosa, o mapeamento transparente e o envolvimento genuíno podem acelerar as renováveis enquanto salvaguardam o que mais importa”.
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