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OMM quer apostar na inteligência artificial e novas tecnologias para melhorar previsões meteorológicas

Na 80º reunião do Conselho Executivo da OMM, a organização alertou para os impactos da falta de financiamento da ONU para as previsões meteorológicas, num contexto marcado pela chegada do El Niño. Falta de fundos afeta também a inovação tecnológica.

23 Jun 2026 - 11:39

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Foto: OMM

Foto: OMM

O Conselho Executivo da Organização Meteorológica Mundial (OMM) iniciou a sua reunião anual nesta terça-feira, com foco no reforço das capacidades de previsão meteorológica e climática da agência através da inteligência artificial, da supercomputação e de novas tecnologias de observação. 

Na abertura do 80º encontro do Conselho Executivo, em Genebra, os responsáveis da agência defenderam que estes avanços serão essenciais para responder à crescente procura de serviços relacionados com o tempo, o clima e os recursos hídricos a curto e longo prazo. 

“A procura pelo que a OMM fornece e pelo que os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais de cada país produzem está a aumentar. Cada fenómeno extremo torna isso mais evidente”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, na sessão de abertura.

A edição do encontro deste ano, que irá decorrer até 26 de junho, é ainda marcada pelo rápido desenvolvimento de um fenómeno climático El Niño, “que poderá intensificar fenómenos meteorológicos extremos, incluindo calor intenso, secas severas e episódios de precipitação perigosa em muitas regiões do mundo”, de acordo com a organização.

Outro dos principais temas da agenda é o impacto das limitações financeiras na capacidade de resposta da agência. A OMM sublinha que o défice de financiamento representa “um risco direto para a sustentabilidade das suas ambições estratégicas”, incluindo iniciativas como os sistemas de alerta precoce e a investigação na área da hidrologia.

“A OMM, tal como todo o sistema das Nações Unidas, enfrenta uma crise financeira sem precedentes que ameaça diretamente a nossa sustentabilidade a longo prazo e as nossas ambições estratégicas”, afirma o presidente da organização, Abdulla Al Mandous.

De acordo com Celeste Saulo, as consequências estruturais destes constrangimentos causam  atrasos no investimento na inovação e têm efeitos duradouros. “Quando adiamos capacidades em inteligência artificial, não poupamos dinheiro de forma neutra: ampliamos lacunas que demoram uma década a fechar”, refere a secretária-geral.

Além disso, a responsável alerta que a redução da coordenação científica global enfraquece o sistema internacional de observação e previsão. “Quando reduzimos a coordenação científica, estamos a danificar o tecido de ligação de um sistema global que só funciona precisamente porque é global”, afirma.

Neste sentido, o presidente da OMM, Abdulla Al Mandous, destaca ainda a importância de investir no WMO Commons, um mecanismo comum de financiamento destinado a sustentar e modernizar a rede partilhada de informação meteorológica, climática e hidrológica. 

Abdulla Al Mandous sublinha a necessidade de promover “um ecossistema mais robusto das ciências da Terra”, que envolva a cooperação entre setores público, privado e academia. Segundo o presidente da OMM, esta articulação é essencial para reforçar as observações, os dados, a capacidade de previsão e os serviços meteorológicos e climáticos.

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