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Organizações mundiais querem proteger dados meteorológicos face à crescente procura por radiofrequências
OMM e UIT alertam para os riscos para a monitorização climática e dos recursos hídricos que esta procura pode representar, numa conferência internacional que está a decorrer em Genebra.
28 Set 2026 - 14:43
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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a União Internacional de Telecomunicações (UIT) apelam à proteção das frequências de rádio utilizadas pelos serviços meteorológicos, climáticos e de monitorização da água, perante a crescente procura de espectro por serviços de comunicações sem fios e de satélite.
O tema está em discussão no decorrer desta semana, em Genebra, no Seminário Global UIT-OMM sobre Utilização do Espetro para a Meteorologia.
As duas organizações alertam que as interferências radioelétricas podem degradar a precisão e a disponibilidade de dados essenciais para os sistemas de alerta precoce, a previsão meteorológica e a monitorização do clima. Nomeadamente, alguns sensores de satélite medem sinais naturais extremamente fracos em frequências específicas, enquanto radares meteorológicos, sistemas de deteção de relâmpagos e plataformas de observação aeronáutica e marítima também dependem dessas bandas.
“Um espetro sem interferências mantém as previsões meteorológicas precisas, os alertas e avisos de emergência atempados e os dados climáticos fiáveis — permitindo às comunidades prepararem-se, responderem e reforçarem a sua resiliência”, afirma Doreen Bogdan-Martin, secretária-geral da UIT.
O apelo surge com a publicação de um novo manual conjunto desenvolvido pelas duas organizações sobre a utilização do espectro radioelétrico para aplicações meteorológicas, climáticas, hídricas e ambientais. O documento reúne orientações técnicas, operacionais e regulamentares para apoiar os governos na gestão do espectro e a proteção das frequências utilizadas pelos sistemas de observação da Terra.
“O espetro de radiofrequências é um recurso natural finito. A meteorologia depende de bandas específicas — determinadas não por escolha, mas pelas propriedades físicas da própria atmosfera: permitem observações que nenhuma outra frequência pode proporcionar. Estas bandas têm de ser protegidas”, afirma a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “Ao protegermos o espetro que nos permite observar a atmosfera, protegemos as previsões e os sistemas de alerta precoce dos quais todos os países dependem”, acrescenta.
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