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Parque eólico e hibridização da Central Hidrelétrica de Picote “é mão cheia de nada”

Autarca Lisis Gonçalves disse que o Planalto Mirandês não pode ser tratado como um território disponível para a instalação industrial sem uma verdadeira discussão com as populações. Projeto da Engie prevê uma ocupação de 105 hectares nos concelhos de Vimioso e Miranda Douro.

08 Mai 2026 - 09:01

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

O presidente da Freguesia de São Martinho de Angueira defendeu que a apresentação pública do projeto eólico e de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote, que decorreu nesta quinta-feira na aldeia de Miranda do Douro, ”foi uma mão cheia de nada”.

Em declarações à agência Lusa, Lisis Gonçalves disse que o Planalto Mirandês não pode ser tratado como um território disponível para a instalação industrial sem uma verdadeira discussão com as populações, referindo o que aqui aconteceu “foi uma mão cheia de nada”.

“Fica uma mão cheia de nada, depois da apresentação deste projeto pela Engie. Ninguém pode pedir confiança às pessoas, quando ainda existem demasiadas dúvidas sobre a localização dos aerogeradores, linhas de muita alta tensão, impactos na paisagem, no ambiente, agricultura e na qualidade vida das freguesias”, vincou.

A empresa elétrica Engie iniciou nesta quinta-feira a apresentação e auscultação pública do projeto de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote, através de um projeto eólico que prevê instalar 35 aerogeradores com uma estimativa de produção de 157,5 Megawatts e que de decorreu nesta aldeia raiana, do distrito de Bragança.

Lisis Gonçalves acrescentou ainda que não é contra o desenvolvimento, nem contra a produção de energias renováveis. “Quem promove este tipo de iniciativas tem de respeitar quem trabalha no interior do nosso país, nos territórios ditos desfavorecidos, não precisamos que os desfavoreçam mais. Há preocupações legítimas sobre esta iniciativa na atividade agrícola, no emparcelamento rural, que nunca se conseguiu, mas para o industrial, que abanado com dinheiro é muito provável”, sublinhou o autarca de freguesia.

Lisis Gonçalves disse ainda que as populações precisam de informação concreta devidamente sustentada. “Só depois disto é que poderá haver uma posição séria e consciente sobre o projeto. O interior não pode ser visto, onde se instala aquilo que os grandes centros urbanos não querem perto de si”, vincou.

A primeira sessão da apresentação deste projeto de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote e parque eólico decorreu na aldeia raiana de São Martinho de Angueira, e que prevê uma ocupação de 105 hectares de terreno nos concelhos de Vimioso e Miranda Douro.

Apesar de questionada pela Lusa, empresa Engie optou por não revelar o valor global deste investimento, justificando que, “por estar ainda numa fase muito embrionária dos projetos, existindo muitas variáveis que poderão condicionar a evolução dos mesmos, seria prematuro e algo especulativo avançar com um montante“.

Quanto à potência deste parque eólico, foi avançado que neste momento perspetiva-se que possa ter uma capacidade de aproximadamente 157,5 MegaWatts.

Nesta fase de projeto estão previstos 105 hectares, de área não vedada, onde se inserirão os aerogeradores, valas de cabos e acessos.

Estes equipamentos de produção de energia eólica terão de ficar instalados num raio de 30 quilómetros dentro área da barragem de Picote, situada no sul do concelho de Miranda do Douro, por razões de operacionalidade e onde será, depois, ligada à Rede Elétrica Nacional, para a distribuição da energia produzida.

Quanto ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para dar início a este projeto transfronteiriço do Parque Eólico de Avelanoso, e consequente processo de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote, o processo poderá demorar cerca de dois anos, adiantaram os técnicos da empresa Gesto, encarregues desta fase inicial deste projeto.

Foi ainda explicado durante esta sessão aberta ao público que em Portugal haverá três momentos para a consulta pública de todo este processo de hibridização e do EIA, respeitando o regime jurídico em vigor.

Quanto à ocupação dos terrenos para a instalação de aerogeradores e outros equipamentos, a empresa Engie informou ter criado condições, iguais para todos os proprietários de terrenos e que vão desde o aluguer de longa duração, aquisição dos terrenos ou outros acordos.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

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