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Planeta entra hoje em dívida ecológica até ao fim do ano

Zero alerta que o Planeta mantém uma “tendência insustentável” de consumo. No ano passado, o cartão de crédito ambiental foi acionado ligeiramente mais cedo, tendo os recursos terminado a 24 de julho de 2025. 

30 Jul 2026 - 11:32

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

A partir desta quinta-feira, dia 30 de junho, o Mundo esgota todos os recursos biológicos que o planeta é capaz de regenerar num ano. A partir desta data, assinalada a nível mundial pelo Dia da Sobrecarga do Planeta, torna-se necessário usar recursos naturais que só deveriam ser utilizados a partir de 1 de janeiro do ano seguinte, neste caso, 2027.

Perante este cenário, a Associação Terrestre Zero alerta que o Planeta mantém uma “tendência insustentável” de consumo. No ano passado, o cartão de crédito ambiental foi acionado ligeiramente mais cedo, tendo os recursos terminado a 24 de julho de 2025. 

No caso de Portugal, este ano o país esgotou os recursos naturais a 7 de maio. À data, a Zero alertou que se cada pessoa no Planeta vivesse como um cidadão português, em média, a humanidade precisaria de cerca de 2,9 planetas para responder às suas necessidades. 

De acordo com a Zero, nos últimos anos a tendência tem sido de uma certa estagnação. Contudo, a associação alerta que “mesmo que o dia da sobrecarga não varie muito, a pressão sobre o planeta continua a aumentar, à medida que os danos causados pela ultrapassagem do limite ecológico se acumulam ao longo do tempo”. 

A associação considera que esta tendência revela a forma como os modelos económicos atuais, “baseados no uso insustentável de recursos naturais, crença num crescimento contínuo num planeta finito e o apelo constante ao consumo”, pressionam os sistemas naturais além da sua capacidade de recuperação. 

“Esta tendência é uma ameaça para as gerações presentes, mas, muito em particular, para os direitos e expectativas das gerações futuras”, afirma a Zero, em comunicado. 

De acordo com a ZERO, é necessário acelerar a adoção de medidas para reduzir o impacto das atividades humanas sobre a capacidade de regeneração do planeta.

Entre os exemplos apontados, a organização refere que a aplicação de uma taxa global de cerca de 90 euros por tonelada de carbono às atividades emissoras de gases com efeito de estufa permitiria adiar em 63 dias o esgotamento anual dos recursos naturais. 

Além disso, a Zero refere que uma redução de 50% no consumo de carne, substituindo essas calorias por uma alimentação vegetariana, adiaria esta data em 17 dias, com 10 desses dias a resultarem das emissões de metano evitadas.

“É urgente a tomada de consciência para a necessidade de alterar o paradigma de desenvolvimento no sentido de promover uma economia do Bem-Estar, que garanta qualidade de vida para todos dentro do respeito pelos limites do planeta”, alerta a organização. 

A Zero explica ainda que, tal como um extrato bancário dá indicação das despesas e dos rendimentos, a Pegada Ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade). 

“A Pegada Ecológica mede o uso de terra cultivada, florestas, pastagens e áreas de pesca para o fornecimento de recursos e absorção de resíduos (dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis). A biocapacidade mede a quantidade de área biologicamente produtiva disponível para regenerar esses recursos e serviços”, explicita a associação. 

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