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Porque não se ouviam os defensores dos gases renováveis?
Aquilo que durante anos foi visto como uma alternativa marginal começa agora a ganhar centralidade, com a realidade geopolítica e energética a obrigar-nos a repensar a forma como asseguramos o nosso abastecimento. Por Sónia Santos Dias, diretora do Jornal PT Green
04 Mai 2026 - 07:40
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Sónia Santos Dias, diretora do Jornal PT Green
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Sónia Santos Dias, diretora do Jornal PT Green
Alguns gases renováveis são de acesso relativamente fácil, como o biogás proveniente de matéria orgânica vegetal ou o biogás produzido a partir de efluentes pecuários. São também de integração relativamente simples, segundo os especialistas, no sistema nacional de gás, uma vez que não serão necessárias grandes alterações às redes existentes que atualmente transportam gás natural.
Apesar disso, e por mais que os seus representantes chamassem a atenção para o seu duplo racional, nomeadamente, a substituição do gás natural e, simultaneamente, a promoção da circularidade de resíduos orgânicos, as suas palavras pareciam não ecoar com a força necessária. Até agora.
A crise no Médio Oriente veio restringir o fluxo regular de gás natural, obrigando-nos a olhar com mais urgência para alternativas capazes de satisfazer as necessidades energéticas atualmente asseguradas por este combustível fóssil.
Há, de facto, situações em que a eletricidade não consegue substituir diretamente as mesmas funções energéticas do gás. Que o digam as indústrias eletrointensivas, que dependem de fornos a altas temperaturas e de processos térmicos contínuos, difíceis de eletrificar de forma eficiente no curto prazo.
É precisamente aqui que os gases renováveis ganham uma relevância acrescida. Não como uma solução exclusiva, mas como uma peça complementar no puzzle da transição energética. A sua utilização permite reduzir emissões, aproveitar fluxos de resíduos orgânicos e, ao mesmo tempo, aproveitar infraestruturas já existentes.
Recorde-se que o Movimento pelo Gás Renovável defendeu recentemente, na Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia, que os gases renováveis podem ser uma das soluções mais promissoras para reforçar a independência energética nacional, sublinhando que a valorização das cerca de 8 mil toneladas diárias de resíduos orgânicos em Portugal poderia reduzir significativamente, ou até eliminar, a necessidade de importação de gás natural.
A par têm vindo a ser dados passos, seja a nível europeu, seja nacional, com esta nova abordagem. As primeiras garantias de origem de biometano em Portugal, por exemplo, foram emitidas em abril. No dia 1 de maio, entrou em vigor o novo regime jurídico do Sistema Nacional de Gás, trazendo uma atualização das regras aplicáveis ao setor do gás em Portugal e em linha com as ambições europeias. O novo regime coloca a descarbonização do sistema no centro da estratégia para os próximos anos, estabelecendo nomeadamente que os investimentos previstos devem dar prioridade à adaptação da infraestrutura à incorporação de gases renováveis, como o hidrogénio e o biometano.
Assim, aquilo que durante anos foi visto como uma alternativa marginal começa agora a ganhar centralidade. Não apenas por mérito tecnológico ou ambiental, mas também porque a realidade geopolítica e energética obriga a repensar a forma como asseguramos o abastecimento, a competitividade industrial e a sustentabilidade.
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