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Prevenção de incêndios: Greenpeace alerta que Portugal “não pode continuar a viver apenas em modo de emergência”
Na semana em que o Governo decreta situação de alerta em todo o território continental, a organização Greenpeace alerta para as "falhas estruturais" na prevenção de incêndios. No primeiro dia de alerta, Portugal já contava com 51 ocorrências.
04 Jul 2026 - 10:30
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Foto: Copernicus
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Foto: Copernicus
Numa semana marcada pelo risco extremo de incêndio e pela declaração da situação de alerta em Portugal continental, a organização Greenpeace alerta que o país continua demasiado dependente das condições meteorológicas e da resposta à emergência para travar os grandes fogos.
Em declarações ao Jornal PTGreen, a organização considera que as medidas operacionais e o reforço da prontidão, anunciados pelo Governo nesta quarta-feira, “são passos sensatos e bem-vindos perante a gravidade meteorológica, mas são claramente insuficientes por serem puramente reativos”.
Um relatório publicado pela Greenpeace no início desta semana estudou mais de 80 anos de incêndios e concluiu que os grandes fogos “resultam de fatores estruturais conhecidos há décadas” e que os incêndios não começam apenas no verão.
“Devido à conjugação de vários fatores, os incêndios florestais em Portugal têm-se agravado, não apenas pelo número de grandes incêndios, mas também pela área ardida em cada ano”, afirma o Professor Domingos Xavier Viegas, coordenador do relatório. “Entre eles contam-se a crescente florestação do País, a redução da agricultura, o despovoamento e, sobretudo, a alteração climática em que estamos.”
Segundo o mesmo relatório, os incêndios que Portugal sofreu em 2003 e 2005, e sobretudo em 2017, mostraram que o problema dos incêndios é transversal a todo o País, podendo afetar múltiplos setores de atividade.
Ao Jornal PTGreen, a Greenpeace explicou que “embora Portugal tenha um sistema de supressão sofisticado, com taxas de sucesso no ataque inicial superiores a 90%, este colapsa por saturação sempre que ocorrem mais de 200 ignições diárias, o que torna qualquer reforço de última hora ineficaz perante os grandes incêndios extremos que as alterações climáticas potenciam”, afirma Ana Farias Fonseca, coordenadora de Campanhas e Mobilização da organização.
Portugal em situação de alerta até dia 06 de julho
Num contexto de temperaturas elevadas, devido à onda de calor que está a afetar a Europa, o Governo declarou situação de alerta entre 3 e 6 de julho para todo o território continental. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, alertou, em comunicado do Governo, que os próximos dias serão “terríveis”, podendo mesmo chegar a criar condições de “barril de pólvora”, com os termómetros a poderem atingir os 47 graus em algumas regiões do país.
Até sexta-feira, o país já contava com 51 ocorrências, de acordo com o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIR). Pelas 14:00 do mesmo dia, Portugal registava “seis ocorrências significativas” de incêndios rurais, mobilizando no combate 1.420 operacionais, 449 veículos e 15 meios aéreos, de acordo com a Lusa.
Em Vouzela, onde o incêndio obrigou à evacuação de aldeias, o fogo já consumiu mais de sete hectares de terreno, segundo o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS).
Entre as medidas de prevenção apresentadas pelo Governo no dia 02 de julho, está previsto o reforço da monitorização operacional, o pré-posicionamento de meios de combate em locais estratégicos, o aumento das ações de vigilância e fiscalização e a intensificação das campanhas de sensibilização junto da população.
O dispositivo foi também reforçado com o destacamento antecipado de equipas da Força Especial de Proteção Civil, corpos de bombeiros, sapadores florestais, Guarda Nacional Republicana e Forças Armadas, numa operação coordenada para “aumentar a capacidade de resposta nas regiões mais vulneráveis aos incêndios rurais”.
No entanto, Ana Farias Fonseca, da Greenpeace, relembra que “o país não pode continuar a viver apenas em modo de emergência: precisamos de um trabalho de preparação, prevenção e recuperação que dure todo o ano, abandonando a atual dependência do combate”.
Entre as medidas defendidas pela Greenpeace está a gestão estratégica anual de pelo menos 1% da área florestal nacional para reduzir a continuidade do combustível e dificultar a propagação dos incêndios.
A organização considera igualmente prioritária a conclusão do cadastro da propriedade, argumentando que a ausência de limites claros dificulta a gestão eficaz do território, numa altura em que “cerca de 90% da área nacional se encontra em mãos privadas”.
A Greenpeace defende ainda uma redução da dependência dos combustíveis fósseis e a adoção de políticas de resiliência que valorizem o mundo rural e as comunidades locais durante todo o ano, para que “a prevenção estrutural deixe de ser invisível e passe a ser a prioridade nacional”.
Perante o alerta de risco, a Autoridade Nacional de Emergência Proteção Civil também apelou à adoção de comportamentos preventivos, recomendando que a população evite qualquer tipo de fogo em espaços abertos, trabalhos com máquinas que possam provocar ignições e deslocações desnecessárias para áreas florestais.
A autoridade recorda ainda que a maioria dos incêndios rurais tem origem em comportamentos humanos e sublinha que “a prevenção continua a ser a forma mais eficaz de proteger pessoas, bens e o território”.
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