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Primeiro estudo europeu identifica 150 clusters para desenvolver inovadora energia de fusão na Europa
Diferente da convencional energia por fissão nuclear, a energia de fusão é encarada como prioridade estratégica de investigação em novas fontes de energia limpa, por ser considerada mais segura e com menos resíduos perigosos. A seleção final dos locais deverá ocorrer até ao final de 2027.
25 Nov 2025 - 07:34
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Construção do Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER), o maior dispositivo de fusão do mundo. Foto: ITER, 2025
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Construção do Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER), o maior dispositivo de fusão do mundo. Foto: ITER, 2025
A Gauss Fusion, empresa europeia de tecnologia verde fundada para construir a primeira central de fusão comercial do continente, completou o primeiro estudo abrangente europeu de mapeamento de clusters industriais e locais de energia adequados para a primeira geração de centrais de fusão na Europa.
O estudo, realizado em colaboração com a Universidade Técnica de Munique (TUM), identifica 150 clusters industriais com 900 locais na Europa, todos potencialmente capazes de acolher a primeira geração de centrais de fusão. Os potenciais locais foram identificados na Alemanha (53), França (14), Itália (7), Espanha (17), Suíça, Dinamarca (5), Países Baixos (7), Áustria (7) e República Checa (8), estando tipicamente situados em centros industriais ou áreas de elevada procura energética.
Os critérios de avaliação incluíram a análise de condições geológicas, sismológicas e meteorológicas; acesso à rede existente; utilização de arrefecimento e calor residual; e oportunidade de aproveitar a infraestrutura e licenciamento associados a locais de centrais nucleares ou a carvão existentes.
Ao contrário da fissão nuclear, que divide átomos pesados e gera resíduos perigosos, a fusão une átomos leves, produz energia limpa, com poucos resíduos e sem risco de acidentes graves, usando combustível abundante e seguro.
Recorde-se que, a Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA, na sigla em inglês) aponta a energia de fusão como uma prioridade estratégica para investigação e desenvolvimento na área da energia limpa. A organização destaca os resultados alcançados com o projeto ITER (International Thermonuclear Experimental Reacto), a maior experiência científica global de fusão nuclear, com o objetivo de provar a viabilidade da fusão como fonte de energia limpa e segura e que está a decorrer em França. A IAEA defende que a fusão deve desempenhar “um papel importante” no futuro mix de eletricidade.
O estudo agora divulgado identifica centenas de potenciais locais para centrais de fusão em nove países, marcando o próximo passo no ‘roadmap da empresa’, desde o conceito à implementação da fusão.
“Futuras centrais de fusão não devem existir isoladamente, mas sim integradas na base industrial já existente na Europa. Este estudo aproxima-nos desse futuro, demonstrando que, por toda a Europa, já existem infraestruturas, indústrias e redes de energia capazes de tornar a fusão uma fonte de energia prática, escalável e soberana”, refere Milena Roveda, CEO da Gauss Fusion.
Segundo a empresa, esta avaliação foi realizada com base num conjunto consistente de critérios técnicos, ambientais e de infraestrutura, incluindo a conectividade à rede elétrica, acesso a sistemas de arrefecimento e recuperação de calor, e a capacidade de reaproveitar infraestruturas energéticas existentes.
Este estudo “marca a transição do design para a implementação” da energia de fusão, sublinha Frédérick Bordry, CTO da Gauss Fusion, acrescentando que fornece “uma metodologia robusta e uma base de dados geoespaciais para avaliar sistematicamente potenciais locais de fusão na Europa. Com este enquadramento, podemos avaliar qualquer novo local proposto por governos ou parceiros com critérios consistentes, transparentes e baseados em evidências, tornando o caminho da Europa para a energia de fusão numa realidade prática e executável”.
Os resultados do estudo serão agora discutidos com os governos, parceiros industriais e reguladores. A seleção final dos locais deverá ocorrer até ao final de 2027.
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