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Produção de frutos secos frutos secos em Portugal vai ter programa de sustentabilidade

A criação e implementação deste programa de sustentabilidade é uma das duas prioridades da Portugal Nuts para o ciclo de atuação entre 2026 e 2028.

27 Mai 2026 - 10:24

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

Um Programa de Sustentabilidade dos Frutos Secos vai ser implementado em Portugal para certificar as boas práticas ambientais, sociais e de governança, contribuindo para aumentar a credibilidade deste produto nacional, revelou nesta terça-feira a associação Portugal Nuts.

“A ideia é termos indicadores ambientais, sociais e de governança para apoiar as empresas na adaptação às exigências europeias, promovendo as boas práticas que reduzam os custos e que aumentem a nossa credibilidade nos mercados internacionais”, explicou o presidente da Portugal Nuts, Tiago Costa.

Na sua intervenção num congresso da fileira que decorreu nesta terça-feira em Évora, o responsável desta associação destacou que a criação e implementação deste programa de sustentabilidade é uma das duas prioridades para o ciclo de atuação entre 2026 e 2028.

“Assumimos duas novas prioridades absolutamente estruturantes. A primeira é a nossa agenda de investigação e de experimentação”, disse, acrescentando que “a segunda é o Programa de Sustentabilidade dos Frutos Secos”, para preparar o setor para o futuro.

Em declarações à agência Lusa, à margem do congresso, o presidente da Portugal Nuts – Associação Promoção Frutos Secos (APFS) lembrou que os produtores desta fileira concorrem num mercado global e “é muito importante” que sua “eficiência seja a melhor possível”, para depois, chegarem “ao mercado de uma forma competitiva”.

Por outro lado, continuou, para os produtores portugueses poderem diferenciar os seus produtos, “é essencial” que se apoiem “na sustentabilidade”.

“Temos um modelo de produção que é sustentável só por si e que, necessariamente, tem que conseguir evidenciar essa sustentabilidade”, defendeu Tiago Costa.

Para isso, “temos que criar indicadores ambientais e as condições para que, com determinadas regras e ‘charts’, podermos afirmar a nossa sustentabilidade e valorizar o nosso produto, a nossa origem de uma forma diferente e diferenciadora das demais”, sublinhou.

Tiago Costa realçou que a indústria dos frutos secos em Portugal “está vocacionada para exportação, essencialmente para a Europa”, cujos consumidores “privilegiam a sustentabilidade”, que pesa “em termos de tomada de decisão” e na “fatia que eventualmente disponibilizam para compras e consumo”.

“Nós devemos afirmar a nossa origem não apenas pela sustentabilidade, por todo o modelo de produção que temos e pelo facto também de termos total rastreabilidade até ao consumidor final”, frisou o presidente da Portugal Nuts, admitindo que gostaria de ter o programa a funcionar no final do período 2026-2028.

Já a aposta da inovação e experimentação, passa por aliar universidades e centros de investigação e desenvolvimento (I&D) às empresas e produtores, para “estudar e testar soluções práticas para os desafios reais do campo”.

“Olhar para as variedades, para a eficiência hídrica, proteção das culturas, resiliência climática, novas tecnologias, qualidade, quantidade e produtividade. Queremos ciência aplicada ao terreno e orientada para os resultados”, sustentou.

Em 2015, de forma pioneira em Portugal e no mundo, a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) implementou o Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA) que, em 2025, contava com mais de 700 membros, representava cerca de 63% da área de vinha do Alentejo e tinha 27 produtores certificados com um selo de produção sustentável reconhecido internacionalmente.

Também a OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, com sede em Beja, aliou-se à Universidade de Évora e começou a trabalhar num programa de sustentabilidade para o setor, em 2022, inicialmente vocacionado para o Alentejo, mas que acabou por assumir abrangência nacional.

Os processos de auditorias arrancaram em 2025, com um referencial composto por 98 critérios, que avalia as dimensões “ambientais, sociais e económicas da produção de azeite”, tendo o primeiro certificado sido atribuído, em dezembro desse ano, à Casa Relvas.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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