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Projeto-piloto (Re)Vestir Cascais já evitou a emissão de cerca de 3,4 toneladas de CO₂

A iniciativa promovida pela Cascais Ambiente permite aos munícipes rastrear o destino de cada peça, acompanhar o percurso dos têxteis entregues e visualizar o impacto associado à contribuição. O munícipio já recolheu mais de uma tonelada de têxteis.

03 Jul 2026 - 06:18

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Foto: Ema Filipe Gonçalves, Cascais Ambiente

Foto: Ema Filipe Gonçalves, Cascais Ambiente

O projeto-piloto (Re)Vestir Cascais já evitou a emissão de cerca de 3,4 toneladas de CO₂, através da recolha e reaproveitamento de mais de uma tonelada de produtos têxteis pelo município. 

De acordo com a Cascais Ambiente, entidade responsável pela iniciativa, cerca de 1 tonelada dos têxteis recolhidos foram encaminhados para reutilização. Estima-se que esta reutilização tenha permitido poupar mais de 5,6 milhões de litros de água, o equivalente ao consumo anual de 100 famílias.

A iniciativa assenta num sistema de recolha seletiva de têxteis que permite aos munícipes rastrear o destino de cada peça, acompanhar o percurso dos têxteis entregues e visualizar o impacto associado à contribuição.

No âmbito do (Re)Vestir Cascais, os têxteis são encaminhados para triagem e, sempre que possível, são preparados para reutilização, prolongando o seu ciclo de vida. Quando tal não é viável, são encaminhados para reciclagem e valorização material. Segundo a Cascais Ambiente, apenas em último recurso é que as peças seguem para eliminação em aterro.

Através de uma aplicação, os participantes pedem os sacos de recolha, identificados com um QR code. Após registar os artigos depositados em cada saco, é necessário fazer ainda a leitura do QR code do contentor de entrega, para garantir a rastreabilidade das peças.

Person holding a smartphone showing a map app with red location pin and UI at the bottom (Portuguese labels visible).

Foto: Ema Filipe Gonçalves, Cascais Ambiente

“Nesta fase, mais do que estabelecer uma meta fixa de redução, pretende-se avaliar o potencial de desvio de resíduos têxteis do circuito indiferenciado e aumentar a reutilização e reciclagem destes materiais, contribuindo para a redução da pegada ambiental do concelho”, explica Ana Raimundo, administradora executiva da Cascais Ambiente, ao Jornal PT Green.

A iniciativa faz parte da iniciativa Climaborough e, por isso, recebe financiamento europeu. Já em Cascais, o investimento realizado centrou-se sobretudo nas ações de comunicação, sensibilização e operacionalização da iniciativa.

Segundo a organização, o investimento feito pela autarquia “procurou privilegiar a sensibilização da comunidade e a criação das condições necessárias para testar o modelo de recolha seletiva de têxteis em contexto real”. 

A Autarquia tem ainda promovido a organização de laboratórios de costura, com o apoio das Juntas de Freguesia de Cascais, de modo “a reforçar a missão deste projeto na sensibilização para a reutilização e valorização dos têxteis”. 

“A adesão tem sido muito positiva, o que demonstra o interesse crescente da comunidade por soluções associadas à economia circular e, em particular, à gestão sustentável dos resíduos têxteis, o que é também um reflexo do enorme desafio ambiental que este fluxo coloca às autarquias”, considera a administradora da Cascais Ambiente. 

O projeto permite ainda que os munícipes acumulem pontos à medida que entregam têxteis. Mais tarde, estes pontos podem ser convertidos por benefícios no comércio local. 

Person holding a pink brochure with a smartphone graphic and QR code, read by a seated person wearing a blue watch.

Foto: Ema Filipe Gonçalves, Cascais Ambiente

“Durante a fase inicial do projeto, promovemos contatos junto de empresas associadas da Associação Empresarial de Cascais, no intuito de criar uma rede de parceiros locais para integrar a iniciativa”, afirma Ana Raimundo. 

“As empresas demonstraram muito interesse, mas só na fase posterior, já com o projeto-piloto no terreno, tivemos a primeira adesão. No início deste ano, a EVERESSENCE juntou-se à iniciativa, tornando-se na primeira loja parceira a aderir ao (Re)Vestir Cascais”, acrescenta. 

Com os olhos postos no futuro, Ana Raimundo explica que o projeto “continuará a apostar na sensibilização e envolvimento da comunidade através de ações de divulgação, workshops, iniciativas de reutilização criativa e atividades ligadas à costura e ao reaproveitamento têxtil”.

Paralelamente, a agência municipal pretende continuar a monitorizar os resultados do projeto-piloto, para avaliar o seu impacto e identificar oportunidades para a eventual expansão e consolidação no concelho.

“Este ano haverá também novidades no que respeita ao modelo de recolha de têxteis a implementar em Cascais, que irá, com certeza, beber da experiência e conhecimento adquirido com este projeto-piloto.”

No entanto, mesmo que o projeto venha a sofrer alterações, a Cascais Ambiente garante que o objetivo principal se mantém: “colocar à disposição dos cascalenses soluções sustentáveis e simples que contribuam para tornar Cascais a capital da qualidade de vida em Portugal”.

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