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Quercus pede travão e transparência ao Governo relativamente à instalação de novos 44 centros de dados
A associação considera necessário travar novos investimentos até estarem reunidas as condições que garantam a sustentabilidade da rede elétrica, a proteção dos recursos naturais e a salvaguarda das comunidades afetadas.
14 Out 2026 - 08:02
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A Quercus alertou nesta terça-feira para os riscos ambientais e sociais associados à eventual instalação de mais 44 centros de dados em Portugal e apelou ao Governo para reforçar a transparência e a regulamentação do setor.
Atualmente, existem 46 centros de dados instalados em Portugal, maioritariamente concentrados em Lisboa (25) e no Porto (11). Aos projetos existentes poderão juntar-se mais 44, quatro dos quais de grande dimensão, elevando o total para 90, caso todos avancem.
Perante este cenário, a associação ambientalista considera necessário travar novos investimentos até estarem reunidas as condições que garantam a sustentabilidade da rede elétrica, a proteção dos recursos naturais e a salvaguarda das comunidades afetadas.
Em comunicado enviado ao Jornal PT Green, a Quercus critica a estratégia do Governo, que promove Portugal como destino para este tipo de infraestruturas através do Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD).
“É necessário exigir precaução e um abrandamento do investimento na criação destas infraestruturas que alimentam a inteligência artificial. Alguns países que traçaram este caminho antes de nós vêem-se agora forçados a recuar e remediar os erros cometidos. Portugal tem que aprender com a experiência internacional, para não correr sérios riscos económicos, sociais e ambientais”, afirma Mariana Garanhão, técnica de políticas públicas e relações externas da Quercus.
Entre os principais riscos ambientais identificados pela associação estão o elevado consumo de água e o potencial de contaminação dos recursos hídricos. A estes juntam-se a pressão sobre os solos agrícolas e florestais, as alterações da paisagem e do ordenamento do território e as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao funcionamento dos centros de dados, que, segundo a Quercus, poderão ser 57% superiores ao previsto anteriormente.
A associação alerta também para a poluição sonora reportada por comunidades que vivem nas proximidades destas instalações e para o aumento da temperatura local provocado pelo calor libertado pelos sistemas de arrefecimento por evaporação.
Mesmo quando alimentados por energias renováveis, os centros de dados podem ter impactes nos ecossistemas, nomeadamente através da conversão de solos naturais em áreas artificializadas, do abate de floresta autóctone e da destruição de habitats para a instalação de infraestruturas energéticas.
Para reduzir o consumo de água, a Quercus defende a utilização de sistemas de arrefecimento que dispensem a evaporação, como a refrigeração de circuito fechado, bem como soluções de extração de humidade do ar com estruturas metal-orgânicas (MOFs).
Além disso, a Quercus propõe ainda a reutilização de águas e o recurso a água reciclada, além da escolha de localizações com maior disponibilidade hídrica e condições climáticas favoráveis.
No setor energético, a associação considera que os promotores devem recorrer, parcial ou totalmente, a fontes renováveis próprias, privilegiando a utilização de terrenos já artificializados.
Defende também que os operadores assumam o pagamento de uma capacidade mínima de rede durante um período de 10 a 15 anos, independentemente da utilização efetiva, para garantir que os custos de reforço da infraestrutura elétrica não recaem sobre os consumidores domésticos.
Entre as restantes medidas propostas estão a criação de um fundo local, financiado anualmente em função do consumo energético dos centros de dados, para apoiar consumidores vulneráveis e a transição energética.
A Quercus defende ainda que os promotores suportem os custos de eventuais reforços da rede elétrica e financiem novas infraestruturas renováveis instaladas em solos já artificializados, com participação obrigatória das autarquias e cooperativas.
A associação propõe igualmente medidas de compensação ambiental desenvolvidas em colaboração com as comunidades locais e organizações não governamentais de ambiente, bem como a disponibilização de parte da capacidade de computação a universidades, startups e serviços públicos.
Por último, defende a criação de uma caução que garanta o desmantelamento das instalações e a reposição dos terrenos nas condições originais, assegurando a reutilização e reciclagem dos materiais.
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