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Dan Jørgensen: “Não há nada mais relevante do que a segurança”
O comissário europeu da Energia defende que a segurança e a independência energéticas devem ser prioridades na União Europeia. A capacidade de produção de biometano já ultrapassa os oito mil milhões de metros cúbicos, mas poderá chegar aos 35 mil milhões em 2030.
14 Out 2026 - 16:15
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O comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Jørgensen, defende que a independência energética deve ser uma prioridade para a União Europeia, colocando o biometano entre as soluções para reduzir a dependência do gás fóssil importado.
Na Semana Europeia do Biometano, que decorre em Bruxelas até 16 de outubro, o responsável defendeu que a independência energética deve ser uma prioridade, a par da redução das emissões e do combate às alterações climáticas.
“Não há nada mais relevante do que a segurança. Sim, temos de olhar para os preços e para a flexibilidade, mas a independência tem de ser a prioridade”, afirmou Dan Jørgensen, no evento, nesta quarta-feira.
Na sua apresentação, o comissário lembrou uma lição aprendida no seu país natal, a Dinamarca, onde desempenhava o cargo de ministro do Clima, Energia e Serviços Públicos aquando da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. “Durante as primeiras semanas e meses, passámos muito tempo no meu ministério a analisar que empresas poderíamos ter de encerrar à força caso Putin decidisse cortar o fornecimento de gás. Tínhamos uma lista de empresas com as quais nos reuníamos para lhes dizer que procurassem alternativas, porque, se o fornecimento de gás fosse interrompido, teríamos de enviar, se necessário, agentes uniformizados para encerrar essas empresas, de modo a garantir que dispúnhamos de gás suficiente para os nossos hospitais, escolas e outras infraestruturas essenciais. Foi aterrador”.
Na defesa deste tipo de combustíveis, o comissário frisou que a situação na Dinamarca “foi uma lição extremamente importante. Mostrou-nos que, por razões de segurança, de segurança económica e de prosperidade, mas também por uma questão mais fundamental — a nossa própria proteção —, precisamos de segurança energética”. Salientou que a Dinamarca já tinha uma presença bastante significativa de biogás no seu sistema de gás, pelo que conseguiram aumentar rapidamente a sua utilização. “Isso mostrou-nos, na Dinamarca, que este era o caminho a seguir. Felizmente, também mostrou a outros Estados-membros que esta poderia ser igualmente a solução para os seus países”, frisou.
Dan Jørgensen apresentou a crise climática como o segundo grande desafio. “Sabemos que temos de agir rapidamente. Sabemos que precisamos de fazer muito mais na Europa do que pensávamos. O nosso continente está a aquecer mais rapidamente do que qualquer outro no planeta. Ao mesmo tempo, vemos outros intervenientes em diferentes partes do mundo a recuar, infelizmente, nos esforços de combate às alterações climáticas. Isso obriga-nos a avançar ainda mais. As energias renováveis — eólica, solar, geotérmica, entre outras — terão um papel importante. Vamos abandonar muitas das moléculas poluentes que importamos e substituí-las por eletrões verdes produzidos na Europa. Mas continuaremos a precisar de moléculas energéticas no futuro. E o biogás e o biometano fazem parte dessa solução”, referiu.
O terceiro desafio identificado por Dan Jørgensen é o custo do biometano, que ainda não consegue, em termos gerais, competir com fontes de energia mais baratas. O comissário considera, contudo, que o aumento da escala de produção e a evolução tecnológica permitirão reduzir os custos, à semelhança do que aconteceu com a energia eólica offshore.
“Hoje, a energia eólica offshore consegue competir com o carvão e produzir eletricidade a um custo inferior. O mesmo pode acontecer com o biogás. Basta observar a evolução tecnológica e a forma como o setor do biogás se tornou muito mais eficiente, mesmo ao longo dos últimos anos. É bastante impressionante. Por isso, considero que esta é uma visão perfeitamente realizável”, referiu.
Acelerar a produção de biometano até 2030
Segundo a Associação Europeia do Biogás, organizadora do evento, a capacidade de produção de biometano na Europa já ultrapassa os oito mil milhões de metros cúbicos por ano, com 36 mil milhões de euros em investimentos anunciados.
Em 2024, o biogás e o biometano forneceram, em conjunto, cerca de 22 mil milhões de metros cúbicos de energia gasosa, o equivalente a aproximadamente 7% da procura europeia de gás.
O potencial de crescimento é, contudo, superior à capacidade instalada. Uma avaliação técnica recente aponta para a possibilidade de a Europa produzir 35 mil milhões de metros cúbicos de biometano por ano até 2030. Para alcançar esse objetivo, o setor identifica como prioridades a aceleração dos licenciamentos, a criação de condições estáveis para o investimento e o reforço da procura industrial.
O biometano, produzido a partir da purificação do biogás, pode ser utilizado em aplicações industriais e na produção de calor e eletricidade, bem como como combustível para os transportes. A sua produção a partir de resíduos orgânicos e biomassa sustentável permite ainda valorizar recursos e gerar subprodutos, como fertilizantes orgânicos, salienta a associação.
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