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Um em cada seis consumidores portugueses já descartou incorretamente aparelhos elétricos
O Electrão assinala hoje o Dia Internacional dos Resíduos Elétricos. Em Portugal, 82,5% dos inquiridos comprou pelo menos um equipamento de fast tech entre agosto de 2025 e julho de 2026.
14 Out 2026 - 11:26
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Um em cada seis consumidores portugueses que compraram equipamentos de tecnologia de baixo custo e curta duração já os descartou no lixo comum ou em contentores inadequados, revela um estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Electrão, que analisou comportamentos dos consumidores em 12 países europeus.
Em Portugal, 82,5% dos 503 inquiridos compraram pelo menos um equipamento de fast tech entre agosto de 2025 e julho de 2026. Entre estes consumidores, 33,6% afirmam ter guardado em casa aparelhos que deixaram de utilizar.
Segundo o estudo, equipamentos como carregadores, cabos, auriculares e luzes LED e outros pequenos equipamentos elétricos são frequentemente adquiridos a baixo custo para responder a necessidades pontuais ou servir de reserva.
Dos compradores portugueses, 29,8% já colocou, de forma errada, estes aparelhos em papeleiras de rua ou no ecoponto amarelo. Por outro lado, 41,9% referiram ter entregue equipamentos em ecocentros ou noutros locais de recolha municipal.
O estudo foi promovido pelo WEEE Forum, associação internacional de entidades gestoras de resíduos elétricos da qual o Electrão faz parte, no âmbito da 14.ª edição do Dia Internacional dos Resíduos Elétricos, assinalado nesta quarta-feira. Este ano, a iniciativa centra-se na tecnologia fast tech, marcada pelo baixo custo e pelo consumo rápido.
Nos 12 países abrangidos pelo estudo, 38,6% dos compradores afirmaram ter descartado pelo menos um equipamento sem nunca o utilizar, após uma única utilização ou antes de completar um mês de uso.
Perante uma avaria, 59,1% dos inquiridos disseram que voltariam a escolher o mesmo modelo ou outro equipamento barato. Ainda assim, 80,3% reconheceram que, em algumas compras, preferiam ter pago mais por “alternativas mais duradouras”.
“Os aparelhos de baixo custo e curta duração continuam a ser equipamentos elétricos. Devemos prolongar o seu uso até ser possível, nomeadamente através da reutilização, e quando deixam de servir é necessário encaminhá-los para reciclagem”, sublinha Ricardo Furtado, diretor-geral de Elétricos e Pilhas do Electrão, em comunicado.
Apesar da sua pequena dimensão, estes equipamentos devem ser encaminhados para circuitos de recolha próprios, de modo a permitir a recuperação de metais e plásticos e o tratamento adequado de componentes potencialmente perigosos, alerta o Electrão.
De acordo com o Global E-waste Monitor 2024, elaborado pelo UNITAR e pela União Internacional das Telecomunicações, foram geradas 62 milhões de toneladas de resíduos elétricos e eletrónicos em todo o mundo em 2022. Apenas 22,3% tiveram recolha e reciclagem formalmente documentadas, segundo o estudo.
O descarte incorreto pode também representar riscos de segurança, sobretudo nos equipamentos com baterias de iões de lítio, alerta o Electrão, com base no estudo do WEEE Forum. Quando esmagadas ou perfuradas durante a recolha e o tratamento de resíduos, estas baterias podem provocar incêndios, colocando em risco trabalhadores e instalações.
Para assinalar o Dia Internacional dos Resíduos Elétricos, o Electrão instalou uma estrutura no Parque Mayer, junto ao Teatro Variedades, em Lisboa. Além disso, a associação apoiou o espetáculo de ópera contemporânea “Pigmalião”, apresentado no mesmo teatro em setembro. A cenografia desta peça integrou uma escultura construída com resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos fornecidos pelo Electrão.
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