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Rede global de tráfico de resíduos rende milhões e leva a centenas de detenções
Portugal participou na operação liderada pela Europol, que envolveu 71 países e resultou na apreensão de mais de 127 mil toneladas de resíduos e poluentes.
12 Mar 2026 - 10:31
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Foto: Europol
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Foto: Europol
Uma operação internacional coordenada pela Europol contra redes de criminalidade ambiental levou à detenção de 337 suspeitos e à apreensão de grandes quantidades de resíduos perigosos e substâncias poluentes em todo o mundo.
A iniciativa, designada “Custos Viridis” e agora divulgada pela Europol, decorreu ao longo de 2025 e contou com a participação de autoridades de 71 países, entre os quais Portugal, envolvendo ainda diversas organizações internacionais.
A operação teve como objetivo desmantelar redes criminosas organizadas ligadas ao tráfico ilegal de resíduos, poluição ambiental, branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.
No total foram realizadas 1.048 inspeções a nível global. As autoridades apreenderam 127.149 toneladas de resíduos, bem como 602 toneladas de agentes poluentes, incluindo 398 toneladas de gases fluorados com efeito de estufa (FGas). Foram ainda confiscadas 75 toneladas de produtos fitossanitários ilegais, 2,3 toneladas de mercúrio e quase 10 milhões de euros em dinheiro e contas bancárias. As apreensões incluíram também veículos, maquinaria pesada, armas de fogo, apartamentos e empresas usadas nas atividades ilícitas.
Segundo os investigadores, apenas o comércio ilegal de gases fluorados poderá representar um valor comercial entre 15 e 20 milhões de euros, dependendo do destino final das mercadorias. Já os resíduos apreendidos, entre os quais veículos em fim de vida, sucata metálica, plásticos, painéis solares usados, equipamentos elétricos e eletrónicos, pneus e resíduos têxteis, poderão ter gerado lucros ilícitos superiores a 31 milhões de euros.
Durante a operação, as autoridades identificaram várias redes de crime organizado responsáveis pelo transporte ilegal de resíduos dentro da Europa e pela exportação destes materiais para África, Ásia e América Latina.
As investigações revelaram diferentes métodos utilizados pelas redes criminosas, incluindo o aproveitamento de lacunas legais, fraude documental e manipulação dos códigos de classificação de resíduos. Foi igualmente detetado um aumento do tráfico ilegal de gases fluorados provenientes da Ásia, que entram na União Europeia através das fronteiras ocidentais ou por via do Norte de África.
Da UE saem têxteis e veículos em fim de vida
A operação evidenciou ainda fluxos específicos de resíduos a nível global. Nomeadamente, dentro da União Europeia, verificou-se tráfico ilegal entre Estados-membros. A partir da Europa foram identificadas exportações ilícitas de veículos em fim de vida, resíduos têxteis e equipamentos eletrónicos para países da Ásia, África e América do Sul. Na América Latina foi detetado comércio ilegal de produtos fitossanitários com impacto nos mercados europeus.
“A operação Custos Viridis evidenciou a natureza global e flexível das redes de criminalidade ambiental, que demonstram pouca consideração pelo ambiente e pela sociedade, ambos significativamente afetados por este tipo de crimes”, pode ler-se na nota divulgada pela Europol. E acrescenta: “O tráfico ilegal e o despejo de resíduos perigosos e substâncias poluentes têm consequências ambientais graves, incluindo a poluição a longo prazo dos solos e da água. As apreensões de mercúrio evidenciam também a ligação entre a criminalidade ambiental e atividades de mineração ilegal de ouro, cujos custos de remediação podem ultrapassar várias dezenas de milhões de euros”.
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