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REN lança concurso de 8,25 milhões para garantir arranque da rede elétrica em caso de apagão

Operador da rede elétrica vai contratar, durante cinco anos, um serviço de arranque autónomo, que permitirá iniciar a produção de eletricidade sem depender da rede em caso de falha generalizada.

20 Ago 2026 - 06:29

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

A REN – Redes Energéticas Nacionais lançou um concurso público com um preço-base de 8,25 milhões de euros para contratar um serviço de arranque autónomo (black start), uma capacidade essencial para a recuperação do sistema elétrico na sequência de um apagão de grandes dimensões.

Recorde-se que, em 2025, na sequência do Apagão que teve lugar a 28 de abril desse ano, o Governo reforçou a segurança do Sistema Elétrico Nacional (SEN) com várias medias entre as quais a duplicação, desde janeiro de 2026, do número de centrais para o arranque autónomo do sistema (‘black start’), somando as centrais de Baixo Sabor e do Alqueva às da Tapada do Outeiro e de Castelo de Bode.

A contratação da REN prevê a contratação do serviço durante 1.826 dias, ou seja, cerca de cinco anos para garantir esse serviço de salvaguarda. O concurso, publicado nesta quarta-feira em Diário da República, tem também âmbito europeu, tendo o anúncio sido enviado para publicação no Jornal Oficial da União Europeia.

O serviço contratado deverá assim contribuir para a segurança, estabilidade e resiliência do sistema elétrico nacional, garantindo que existem recursos disponíveis para apoiar a recuperação da rede em situações de perturbação grave.

Segundo o caderno de encargos consultado pelo Jornal PT Green, a empresa vencedora do concurso ficará responsável por assegurar “por sua conta e risco” todos os meios necessários à execução do serviço de arranque autónomo, incluindo o transporte, carga, descarga e manutenção dos equipamentos necessários, bem como a organização dos recursos indispensáveis à prestação do serviço.

As empresas interessadas têm até 16 de setembro de 2026 para apresentar as suas propostas através da plataforma eletrónica VORTAL. O anúncio indica ainda que o contrato não será financiado por fundos europeus.

A contratação surge no âmbito das responsabilidades da REN enquanto entidade responsável pela operação da rede de transporte de eletricidade em Portugal, num contexto em que a capacidade de recuperação rápida do sistema assume importância crescente para a resiliência das redes elétricas.

Sucessão de falhas provocaram Apagão em 2025

Recorde-se que, segundo o relatório da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês), publicado em outubro de 2025, o apagão ibérico foi provocado por uma sucessão de desligamentos súbitos de produção renovável, e subsequente perda de sincronismo com a rede continental europeia, segundo o painel de peritos que investiga o incidente.

Na altura, a ENTSO-E explicou que a sequência de falhas teve início às 12:32 de 28 de abril de 2025 (hora de Bruxelas), quando diversas centrais solares e eólicas no sul de Espanha se desligaram subitamente da rede, seguidas de perdas adicionais em regiões como Granada, Badajoz, Sevilha e Cáceres. Em menos de um minuto, foram retirados mais de 2,5 gigawatts de capacidade de produção. Esta quebra reduziu a compensação reativa disponível, provocando uma escalada da tensão elétrica e desencadeando um efeito em cascata em toda a Península Ibérica.

Às 12:33, o sistema ibérico começou a perder sincronismo com a rede continental, registando oscilações de frequência e tensão que não puderam ser estabilizadas pelos planos automáticos de defesa de Portugal e Espanha. Pouco depois, as interligações com França e Marrocos também foram desligadas, consumando a separação elétrica da Península e o colapso total dos sistemas português e espanhol.

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