4 min leitura
Setor europeu da mobilidade elétrica reforça meta de 100% de veículos elétricos até 2035
Estudo da Charge France e da Boston Consulting Group destaca benefícios económicos e ambientais dos carros 100% elétricos, com famílias a poderem poupar até 1.600€ por ano face aos híbridos plug-in.
19 Set 2025 - 13:57
4 min leitura
Foto: Unsplash
- Reciclagem de embalagens recua no arranque de 2026 apesar de maior investimento no setor
- UE precisa de 15% do gado em pastoreio para manter habitats protegidos
- Álvaro Mendonça e Moura é candidato único à presidência da Confederação dos Agricultores de Portugal
- Pirenéus perdem três dias de geada e aumentam cinco dias de verão por década
- Investimento nas redes elétricas dispara na Europa e pode atingir 47 mil ME até 2027
- ISO atualiza norma de gestão ambiental mais utilizada no mundo
Foto: Unsplash
O setor europeu da mobilidade elétrica apelou nesta quinta-feira à manutenção do rumo para 2035, defendendo a transição completa para veículos 100% elétricos. Um novo estudo encomendado pela Charge France, em parceria com a Boston Consulting Group (BCG), revela que os veículos totalmente elétricos constituem a solução mais económica, ecológica e competitiva para cidadãos e para a Europa, enquanto os híbridos plug-in e os veículos com extensor de autonomia devem ser vistos apenas como soluções de transição a curto prazo. As famílias podem poupar até 1.600 euros por ano ao optarem por um veículo 100% elétrico em vez de um híbrido plug-in, segundo a análise.
Para a BCG, a trajetória europeia rumo ao automóvel elétrico está bem encaminhada. No primeiro semestre de 2025, as vendas de veículos totalmente elétricos cresceram 24% face ao mesmo período do ano anterior, e as projeções apontam para uma quota de mercado entre 90% e 100% dos novos registos em 2035, caso os atuais padrões europeus se mantenham.
Os consumidores confirmam esta tendência: cerca de 60% dos europeus afirmam estar prontos para escolher um veículo elétrico na próxima compra. As barreiras técnicas estão a desaparecer rapidamente, com novos modelos a oferecer uma autonomia média superior a 500 quilómetros, tempos de carregamento reduzidos para cerca de 20 minutos e uma expansão acelerada das estações de carregamento ultrarrápido.
O estudo realça ainda o impacto macroeconómico e ambiental da eletrificação das frotas: as importações de petróleo da Europa poderiam ser reduzidas em 15% até 2035, traduzindo-se numa poupança anual de 40 a 45 mil milhões de euros. No plano ambiental, os veículos elétricos emitem, em média, três vezes menos CO₂ do que os veículos a combustão na Europa e até nove vezes menos em França, graças ao mix energético local. Em contrapartida, os híbridos plug-in funcionam pouco em modo elétrico, apresentam custos de utilização mais elevados e chegam a emitir o dobro face a um veículo 100% elétrico ao longo do seu ciclo de vida.
A Charge France reúne 18 dos principais operadores de pontos de carregamento, incluindo Atlante, Allego, DRIVECO, Electra, ENGIE Vianeo, Fastned, Ionity, Izivia e Powerdot, e também a Alpitronic e a Transport & Environment.
Com base nestas conclusões, a Charge France apresentou quatro recomendações para alcançar 100% de veículos elétricos até 2035. Entre elas destaca-se a reafirmação firme dos objetivos europeus, garantindo que apenas veículos totalmente elétricos possam ser vendidos após 2035, o que proporcionaria visibilidade a investidores privados, protegeria o poder de compra, asseguraria a soberania energética e contribuiria para limitar o aquecimento global. O setor defende também medidas de apoio para uma transição justa e equitativa, como a manutenção de incentivos fiscais para frotas empresariais elétricas e a eliminação de incentivos a veículos a combustão ou híbridos plug-in, bem como esquemas de apoio a famílias de baixos rendimentos, incluindo leasing social, bónus de conversão e incentivos à compra de usados elétricos.
Além disso, o estudo sublinha a importância de destacar os benefícios económicos e ambientais dos veículos elétricos, incluindo a revisão da rotulagem ambiental para refletir a eficiência real dos veículos e das suas emissões, e reforçar a comunicação sobre os ganhos no poder de compra associados à eletrificação. Por último, a Charge France defende o apoio à transformação industrial para reforçar a competitividade europeia, acelerando a qualificação da força de trabalho e promovendo uma oferta europeia diferenciada, com baterias rastreáveis e recicláveis e produção local sustentável.
Carlos Ferraz, diretor-geral da Atlante em Portugal, reforçou a importância do compromisso político: “Alcançar o objetivo de 100% de veículos elétricos até 2035 é essencial e deve continuar a ser uma prioridade. Os investimentos e iniciativas já estão em marcha, mas é necessário o apoio firme de uma política europeia ambiciosa.”
- Reciclagem de embalagens recua no arranque de 2026 apesar de maior investimento no setor
- UE precisa de 15% do gado em pastoreio para manter habitats protegidos
- Álvaro Mendonça e Moura é candidato único à presidência da Confederação dos Agricultores de Portugal
- Pirenéus perdem três dias de geada e aumentam cinco dias de verão por década
- Investimento nas redes elétricas dispara na Europa e pode atingir 47 mil ME até 2027
- ISO atualiza norma de gestão ambiental mais utilizada no mundo