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Spin-off da FEUP aposta em células solares para eliminar baterias em dispositivos IoT
A Azure Photon está a desenvolver uma tecnologia de perovskita selada a laser que pode alimentar dispositivos durante mais de uma década com luz interior, reduzindo os resíduos eletrónicos.
05 Jun 2026 - 10:27
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Adélio Mendes, Jorge Martins e Seyedali Emami
A Azure Photon, spin-off da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), está a desenvolver células solares de perovskita capazes de captar luz interior e substituir baterias descartáveis em dispositivos IoT (Internet of Things), num contexto em que se estimam até 78 milhões de baterias descartadas por dia em 2025.
A FEUP explica que o mundo enfrenta um problema crescente associado ao “uso massivo” de baterias descartáveis que alimentam estes pequenos dispositivos eletrónicos, que incluem sensores de temperatura, humidade, movimento, qualidade do ar, etiquetas inteligentes, contadores, sistemas de monitorização e inúmeros equipamentos que recolhem e transmitem dados de forma contínua.
“O seu número está a aumentar rapidamente devido à digitalização e à necessidade de recolher informação em tempo real, e estima‑se que, até 2030, existam mais de 40 mil milhões de dispositivos IoT em funcionamento. Embora a maioria destes equipamentos tenha uma vida útil de cerca de dez anos, as baterias que os alimentam duram em média apenas dois anos, o que obriga a substituições frequentes e gera um volume de resíduos sem precedentes”, explica a FEUP em comunicado.
A Azure Photon visa enfrentar este problema ao desenvolver células solares de perovskita capazes de gerar energia a partir da luz interior e alimentar dispositivos IoT durante toda a sua vida útil, eliminando a necessidade de baterias descartáveis. O avanço está no processo de selagem hermética assistida por laser, que protege as células solares contra humidade e oxigénio, dois dos principais fatores de degradação.
A empresa foi fundada pelos investigadores do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE), Seyedali Emami e Jorge Martins, e pelo Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Química e Biológica (DEQB) da FEUP, Adélio Mendes, com o objetivo de transformar investigação avançada da Faculdade em soluções energéticas inovadoras e sustentáveis.
“As células solares de perovskita são uma tecnologia fotovoltaica emergente produzida com materiais abundantes e de baixo custo, que se distingue pela sua capacidade excecional de produzir eletricidade mesmo sob baixa luminosidade. Em ambientes interiores, estas células já atingiram uma eficiência de conversão de energia recorde de 44,7 por cento, superando largamente as tecnologias solares tradicionais de silício e filmes finos. Esta eficiência permite transformar a luz artificial de escritórios, armazéns, lojas ou habitações inteligentes numa fonte de energia limpa, contínua e suficiente para alimentar sensores e dispositivos IoT sem necessidade de manutenção frequente”, explica a FEUP.
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