3 min leitura
Sustentabilidade: dos últimos 25 anos aos próximos 25
Como a Jornada da Sustentabilidade pode mapear o presente e preparar as empresas para os desafios das próximas décadas. Por Maria Martins, gestora de conhecimento e formação do BCSD Portugal
20 Fev 2026 - 07:41
3 min leitura
Maria Martins, gestora de conhecimento e formação do BCSD Portugal
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Maria Martins, gestora de conhecimento e formação do BCSD Portugal
Os últimos 25 anos: da filantropia à estratégia
Foi no início dos anos 2000 que o tema do desenvolvimento sustentável ganhou estrutura no contexto empresarial. Nessa altura, falava-se de filantropia, voluntariado, códigos de conduta e relatórios voluntários. Iniciativas importantes, mas frequentemente desligadas do core do negócio. A sustentabilidade vivia à margem da estratégia.
Gradualmente, o enquadramento evoluiu. O triple bottom line (pessoas, planeta e lucro) reforçou a ideia de que o desempenho empresarial não devia ser medido apenas pelo resultado financeiro, mas também pelo impacto social e ambiental. Esta mudança abriu caminho a uma visão mais integrada da criação de valor partilhado.
Com o ESG (ambiente, social e governança), essa evolução consolidou-se. A sustentabilidade passou a integrar critérios de investimento, análise de risco e avaliação de desempenho. A agenda ganhou dimensão financeira e passou a influenciar o acesso a capital, o custo de financiamento e a avaliação de risco.
Nos últimos anos, a regulamentação europeia acelerou o processo. A CSRD tornou obrigatória a divulgação de informação estruturada e auditável sobre o desempenho ambiental, social e de governança. O que antes era maioritariamente voluntário, passou a estar enquadrado num regime obrigatório e sujeito a escrutínio.
A sustentabilidade deixou, assim, de ser apenas um nice to have para se tornar económica, regulatória e competitiva. Passou da filantropia para a estratégia.
O presente: da integração formal à abordagem sistémica
Hoje, cada vez mais empresas trabalham a sustentabilidade ao nível estratégico. Definem metas, assumem compromissos públicos, integram critérios ESG nas decisões e reportam dados. Ainda assim, a integração nem sempre é sistémica. Persistem iniciativas isoladas, departamentos pouco articulados com o negócio e estratégias que nem sempre se traduzem numa transformação profunda da forma de operar.
Estamos numa fase de transição: a sustentabilidade já não é periférica, mas ainda não é plenamente estrutural.
É neste contexto que surge a Jornada da Sustentabilidade, que lançamos já no mês de março.
Esta Jornada (exclusiva aos membros do BCSD Portugal) permite às empresas mapear o seu nível de maturidade e estruturar o seu caminho. Organizada por etapas – do diagnóstico à estratégia, do plano de ação ao reporte e à cultura –, promove uma abordagem integrada e progressiva. Mais do que avaliar, orienta: identifica lacunas, ajuda a definir prioridades e ajuda a passar de ações dispersas para uma lógica sistémica, onde a sustentabilidade influencia decisões estratégicas, modelos de negócio e cultura organizacional.
Os próximos 25 anos: de algo isolado para passar a ser “A” estratégia
Se os últimos 25 anos foram de estruturação, os próximos 25 serão de consolidação e coerência.
A transição climática, a escassez de recursos e as novas expectativas sociais exigirão cada vez mais empresas mais resilientes e regenerativas. Não bastará cumprir: será necessário transformar.
O objetivo para 2050 deve ser claro: que a sustentabilidade deixe de ser vista como algo isolado dentro das empresas. Que esteja totalmente integrada na estratégia, nos valores e na sua forma de pensar e agir. Idealmente, deixaremos de falar de sustentabilidade – porque ela será simplesmente a forma natural de fazer negócio.
A pergunta é simples, mas decisiva: queremos integrar a sustentabilidade na estratégia ou integrar a estratégia na sustentabilidade?
A resposta definirá os próximos 25 anos.
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