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T&E pede metas europeias mais ambiciosas para frotas de veículos empresariais
Estudo da Transport & Environment defende que as metas propostas pela Comissão Europeia ficam aquém do potencial da lei, pedindo maior ambição na eletrificação das frotas de grandes empresas.
24 Fev 2026 - 08:36
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Uma nova lei europeia destinada a eletrificar as frotas de veículos das grandes empresas pode garantir 57% das vendas de automóveis elétricos de que os fabricantes precisam para cumprir as metas de CO2 da União Europeia em 2030, mas apenas se as metas de eletrificação forem reforçadas. É o que conclui uma análise da organização Transport & Environment (T&E), publicada nesta segunda-feira.
A proposta atual da Comissão Europeia estabelece uma meta média de 45% para a eletrificação dos novos carros registados por grandes empresas nos Estados-membros. Para a T&E, esse limiar é insuficiente. A organização defende que, ao aumentar a meta para 69% e excluir os híbridos plug-in (PHEV), em linha com o cenário de ambição média da própria Avaliação de Impacto da UE, seria possível garantir cerca de dois milhões de novas vendas de veículos elétricos. Com a proposta atual, esse número cai para pouco mais de 1,2 milhões, o equivalente a apenas 37% das vendas necessárias.
A análise revela ainda que, com metas mais ambiciosas, todos os fabricantes europeus beneficiariam de forma significativa. A BMW seria a mais beneficiada, com 72% das suas vendas de elétricos asseguradas, seguida da Volkswagen com 61% e da Volvo com 59%.
Um setor que ainda fica atrás do mercado
As frotas empresariais têm um papel histórico decisivo na adoção de automóveis novos na Europa: os veículos comprados por empresas tendem a entrar no mercado de usados poucos anos depois, tornando-se acessíveis a um público mais amplo. É por isso que a T&E considera paradoxal que a proposta da Comissão exija que as grandes empresas se movam mais depressa do que o mercado automóvel em geral em apenas seis dos 27 Estados-membros – Alemanha, Itália, Áustria, Irlanda, Luxemburgo e Países Baixos. Nos restantes 21 países, as empresas ficariam aquém ou apenas igualariam o ritmo geral de adoção de elétricos.
Na Alemanha, os registos de elétricos por parte de empresas ficariam apenas cinco pontos percentuais acima do que já se projeta para o mercado global de veículos elétricos naquele país.
Na Bélgica, onde uma reforma fiscal em 2021 eliminou progressivamente as amortizações para veículos de combustão e PHEV, os elétricos representaram 54% dos registos empresariais em 2025. Em contraste, na Alemanha, onde não houve qualquer penalização fiscal equivalente, a quota ficou-se pelos 19%.
Produção europeia em jogo
A discussão vai além da política climática. A T&E sublinha que 74% dos novos veículos elétricos corporativos registados na UE em 2025 já são fabricados na Europa, uma quota que poderá crescer caso a lei final inclua incentivos financeiros exclusivos para veículos produzidos no bloco. Esta condição está a ser negociada no âmbito da Lei do Acelerador Industrial, cuja definição de “fabricado na UE” deverá ser fixada ainda este mês.
Com uma meta de 69%, os fabricantes europeus poderiam vender até 1,9 milhões de veículos elétricos adicionais em 2030, quase quatro vezes a produção anual total da fábrica da Volkswagen em Wolfsburg. A manutenção da meta em 45% reduziria esse efeito para um máximo de 1,2 milhões de unidades.
A gestora de frotas limpas da T&E, Sofie Grande y Rodriguez, resume que os legisladores têm de escolher entre aumentar as metas e abandonar os PHEV, ou desperdiçar a oportunidade de transformar esta lei num instrumento eficaz de estímulo à procura. “É do interesse da indústria automóvel europeia que o façam corretamente”, reitera.
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