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Tendências de Sustentabilidade para 2026

A simplificação regulatória em curso não elimina a pressão por reporte e desempenho. Muitas empresas mantêm a divulgação voluntária por reconhecerem a sua vantagem competitiva. Por Afonso Dinis, especialista de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal

04 Fev 2026 - 07:36

4 min leitura

Afonso Dinis, especialista de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal

Afonso Dinis, especialista de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal

O ano de 2026 marcará uma fase de maturação da agenda da sustentabilidade, em que a ambição estratégica passará a ser testada pela capacidade de execução. A simplificação regulatória em curso não elimina a pressão por reporte e desempenho. Muitas empresas mantêm a divulgação voluntária por reconhecerem a sua vantagem competitiva, enquanto o relato tenderá, cada vez mais, a focar-se em métricas realmente materiais e relacionadas com o desempenho financeiro, para orientar a tomada de decisão.

Do lado económico, obrigações de transição e instrumentos vinculados à natureza ganham tração, e bancos e investidores estão a recompensar estratégias de transição credíveis. Em paralelo, a transição energética avança, apesar do menor apoio político, sobretudo por lógica de mercado: tecnologias maduras atingiram paridade de custos com as alternativas convencionais, acelerando investimentos em renováveis e eletrificação.

A adaptação torna-se cada vez mais relevante, pois o aumento da exposição de ativos privados a danos climáticos reforça a necessidade de planos robustos de resiliência ao nível de portefólios e infraestruturas. Projeções disponíveis indicam um crescimento significativo da percentagem de infraestruturas vulneráveis a perdas elevadas até 2050, o que exige integração da adaptação nos planos de investimento e seguros. Em simultâneo, a supervisão intensifica-se: bancos centrais incorporam o risco climático na avaliação da estabilidade financeira, pressionando instituições a internalizarem riscos físicos e de transição.

Contudo, a lacuna de execução mantém-se. A capacidade de transformar informação em decisões acionáveis é crítica, exigindo-se dados de qualidade, comparáveis e evidências claras da sua ligação à performance financeira. Neste contexto, a Inteligência Artificial (IA) pode desempenhar um papel relevante na organização, análise e interpretação de grandes volumes de dados, mas não substitui o discernimento necessário nem a responsabilidade das decisões empresariais.

Reconhecido o seu potencial de apoio à decisão, a IA assume-se como um catalisador ambíguo. Por um lado, vem melhorar produtividade e capacidade de foresight, mas cria riscos energéticos (data centers com consumo em rápida expansão), de desinformação, de cibersegurança e de desigualdade social – estima-se que as mulheres serão duas vezes mais afetadas do que os homens pela substituição de empregos devido à IA. Assim, a governança da IA passa a ser imperativa na estratégia empresarial.

Estes desafios são ampliados num contexto geopolítico e social mais instável, em que a erosão da confiança e a polarização aumentam a volatilidade operacional.  Desinformação e fragmentação social são riscos de curto prazo que colocam em causa a robustez da tomada de decisão e a aceitação social das iniciativas de sustentabilidade. Assim, as empresas devem reforçar literacia da informação, transparência e diálogo com stakeholders. Em paralelo, e como resposta à instabilidade geopolítica, a circularidade e gestão de matérias-primas críticas tomam uma posição central na resiliência europeia.

Em 2026, chega ao fim a era da sustentabilidade cosmética, confortável e inócua. A reciclagem, plantações de árvores e limpezas de praias não são suficientes para alterar trajetórias de risco, modelos de negócio ou decisões de investimento. A sustentabilidade autêntica está a afirmar-se. Além do imperativo moral, afirma-se por uma lógica económica, assente na redução de custos e na gestão de risco, em busca da verdadeira criação de valor partilhado.

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