4 min leitura
Turquia continua dependente de combustíveis fósseis antes da COP31
Apesar do crescimento da produção de eletricidade a partir de energia eólica e solar na Turquia, estas fontes ainda não avançam a um ritmo suficiente para substituir os combustíveis fósseis.
17 Set 2026 - 09:08
4 min leitura
Foto: Unsplash
- Turquia continua dependente de combustíveis fósseis antes da COP31
- Organizações de aviação criam aliança internacional para melhorar qualidade do ar nas cabines
- Arranca no Tejo a “maior operação de barcos elétricos do mundo”
- Santarém recebe 4.º Encontro Nacional das Guardiãs da Natureza
- Ministra do Ambiente e da Energia rejeita acabar com o sistema “Volta”
- UE aumenta licenças de carbono gratuitas para travar fuga de produção industrial
Foto: Unsplash
A Turquia continua a dar prioridade aos combustíveis fósseis no setor elétrico, apesar do potencial para os substituir por energias renováveis e do crescimento recente da capacidade renovável, segundo uma análise do Climate Action Tracker (CAT, na sigla em inglês) ao setor energético do país, divulgada nesta quinta-feira.
Para a organização, a questão ganha particular relevância antes da COP31, que terá a Turquia como país anfitrião. Entre os temas em discussão estará a meta 35×35, que prevê elevar a eletrificação para 35% até 2035.
Entre 2013 e 2023, a taxa de eletrificação manteve-se em cerca de 21%, enquanto as projeções oficiais apontam para apenas 25% em 2035, o que exigiria “alterações significativas” nas políticas para alcançar a meta definida.
Segundo o CAT, acelerar a eletrificação terá de ser acompanhado pelo reforço das energias renováveis e por uma estratégia de transição para abandonar os combustíveis fósseis. Atualemnte, a Turquia não dispõe de um plano de eliminação progressiva destes recursos e continua a investir na exploração e produção de combustíveis fósseis.
Apesar do crescimento da produção de eletricidade a partir de energia eólica e solar, estas fontes ainda não avançam a um ritmo suficiente para substituir os combustíveis fósseis, cuja utilização continua a expandir-se. Ao mesmo tempo, a procura de eletricidade está a aumentar e o Governo turco procura afirmar o país como um centro regional de gás fóssil.
“Os planos climáticos da Turquia estabelecem que os combustíveis fósseis continuarão a ocupar um lugar central no seu mix energético até surgirem alternativas mais baratas”, afirma Bill Hare, diretor executivo da Climate Analytics, organização parceira do CAT, em comunicado enviado ao Jornal PT Green.
Em 2024, a Turquia ultrapassou a Alemanha como maior produtora de eletricidade a partir de carvão na Europa. Embora não tenha acrescentado nova capacidade nos últimos dois anos, o Governo continua a subsidiar o carvão através de acordos de compra de longo prazo entre os setores público e privado. Além disso, o país está também a expandir minas existentes, a abrir novas explorações e a promover políticas destinadas a manter ou aumentar a produção de carvão.
O CAT aponta como possíveis medidas uma estratégia de eliminação progressiva do carvão acompanhada de uma “transição justa” para os trabalhadores, o abandono dos planos para transformar o país num centro de petróleo e gás fóssil e um reforço das energias renováveis.
«A Turquia implementou as políticas adequadas para as energias renováveis» e poderia, antes da COP31, anunciar metas e planos para eliminar progressivamente o carvão e o gás, defende Niklas Höhne, do New Climate Institute, outra organização parceira do CAT.
A análise CAT à ação climática da Turquia classifica o país como “criticamente insuficiente”. Segundo a organização, as políticas atuais permitem ao país atingir as metas climáticas estabelecidas para 2030 e 2035, mas as emissões deverão continuar a aumentar até 2035.
Apesar do reforço da meta para as energias renováveis, o CAT considera que a Turquia “continua longe de uma trajetória compatível” com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC. Nessa trajetória, as emissões do país teriam de começar a diminuir imediatamente.
A análise identifica, contudo, alguns avanços na transição energética. A expansão das renováveis permitiu à Turquia desenvolver produção nacional de componentes para instalações eólicas, como torres, pás, geradores e caixas de velocidades, com uma parte significativa destes equipamentos a ser exportada para a Europa.
O país está ainda a avançar na instalação de baterias à escala da rede. Na mobilidade elétrica, o fabricante turco Togg ultrapassou em 2025 a Tesla e a BYD como marca de veículos elétricos mais vendida no mercado nacional. As vendas de veículos elétricos mais do que duplicaram e representaram 19% do mercado no primeiro semestre de 2026.
O CAT considera, ainda assim, que a Turquia “precisa de acelerar a expansão das energias renováveis e reforçar as metas de capacidade renovável, os objetivos climáticos para 2030 e 2035 e a estratégia de longo prazo para alcançar a neutralidade carbónica em 2053”.
- Turquia continua dependente de combustíveis fósseis antes da COP31
- Organizações de aviação criam aliança internacional para melhorar qualidade do ar nas cabines
- Arranca no Tejo a “maior operação de barcos elétricos do mundo”
- Santarém recebe 4.º Encontro Nacional das Guardiãs da Natureza
- Ministra do Ambiente e da Energia rejeita acabar com o sistema “Volta”
- UE aumenta licenças de carbono gratuitas para travar fuga de produção industrial