4 min leitura
Turquia recebe resíduos plásticos europeus e concentrações de microplásticos aumentam 132 vezes
Às portas da COP31, investigadores apontam para um “legado tóxico do colonialismo dos resíduos plásticos”, proveniente sobretudo da União Europeia e do Reino Unido.
26 Out 2026 - 07:00
4 min leitura
Foto Freepik
- O cravo e a ferradura: A UE defende o fim dos combustíveis fósseis enquanto alivia regras ambientais
- Passaporte Climático das Cidades vai acompanhar ação dos municípios
- Carros elétricos nas empresas podem gerar 344 mil empregos na UE até 2030
- Subsídios aos combustíveis fósseis poderiam ser canalizados para financiar a saúde
- Regadio precisa de €1,1 mil milhões para concretizar projetos prontos a arrancar
- Comissão Europeia cria aliança para impulsionar mercado de produtos de base biológica
Foto Freepik
Às portas da COP31, os olhos voltam-se para a Turquia e para um problema europeu muitas vezes dissimulado: a exportação de resíduos. O país anfitrião da 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que se realiza em Antália, de 9 a 20 de novembro, está a tornar-se, segundo uma nova investigação, “um centro mundial de processamento de resíduos plásticos, impulsionado sobretudo pelas importações de países como o Reino Unido e os Estados-membros da União Europeia”.
A análise, da autoria de investigadores da Universidade de Çukurova, em Adana, e da Universidade Sabancı, em Istambul, identificou concentrações de microplásticos até 132 vezes superiores depois dos pontos de descarga de águas residuais de instalações de reciclagem.
Levado a cabo na região de Adana, no sul da Turquia, o estudo apurou que a rede de canais da região, amplamente utilizada para a irrigação agrícola e ligada ao rio Seyhan e ao mar Mediterrâneo, está cada vez mais exposta a efluentes destas instalações sem controlo adequado.
As amostras de água recolhidas antes e depois dos pontos de descarga nos canais revelaram concentrações de microplásticos entre 16,5 e 2174,5 partículas por litro, com valores até 132 vezes superiores depois das descargas. Os fluxos estimados ultrapassaram os 5,3 mil milhões de partículas de microplásticos por hora.
Segundo a informação divulgada, a análise dos polímeros identificou uma predominância de polietileno, polipropileno e tereftalato de polietileno (PET). De salientar que os granulados de plástico (pellets) e os copolímeros industriais foram encontrados exclusivamente depois dos pontos de descarga, confirmando uma origem diretamente associada às atividades de reciclagem.
Os investigadores apontam que este trabalho fornece evidências que sustentam a necessidade de proibições mais rigorosas quanto às importações, à instalação obrigatória de sistemas de filtração de microplásticos e à criação de mecanismos globais de responsabilização para enfrentar aquilo que designam como “legado tóxico do colonialismo dos resíduos plásticos”.
O destino dos resíduos da UE
O estudo surge num contexto de debate sobre o comércio internacional de resíduos e a responsabilidade dos países exportadores pelos impactos ambientais associados ao seu tratamento. Em 2025, a União Europeia exportou 32 milhões de toneladas de resíduos, cerca de 40% das quais tiveram como destino países que não pertencem à OCDE.
No caso específico dos resíduos plásticos, os dados da Comissão Europeia indicam que a UE produz cerca de 40 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano e exporta anualmente entre 1 e 1,5 milhões de toneladas. E a Turquia é, de facto, o principal destino para exportações de resíduos plásticos da UE, entre os membros da OCDE. Em 2025, as exportações da UE para este país atingiram 510 mil toneladas, de um total de 1,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos exportados pela UE nesse ano.
Além da Turquia, os principais destinos em 2025 foram a Malásia (276 mil toneladas), a Indonésia (215 mil toneladas), o Vietname (137 mil toneladas) e o Reino Unido (108 mil toneladas).
Novas regras europeias
O novo Regulamento da UE relativo às Transferências de Resíduos prevê a proibição das exportações de resíduos plásticos para países que não pertencem à OCDE, partir de 21 de maio de 2027
Este regulamento, segundo a CE, introduz regras mais rigorosas para as exportações de resíduos, destinadas a “garantir que a UE não transfere os seus problemas de gestão de resíduos para países terceiros”.
Na realidade, a exportação de resíduos para países não membros da organização ficará, como regra geral, sujeita a restrições mais rigorosas e só poderá continuar para países autorizados pela Comissão Europeia, que terão de demonstrar capacidade para assegurar uma gestão ambientalmente adequada dos resíduos.
A Turquia, por ser membro da OCDE, não está abrangida por esta proibição específica, mas a Comissão Europeia diz que continuará a acompanhar as exportações para o país e a avaliar as condições de gestão dos resíduos importados.
- Turquia recebe resíduos plásticos europeus e concentrações de microplásticos aumentam 132 vezes
- O cravo e a ferradura: A UE defende o fim dos combustíveis fósseis enquanto alivia regras ambientais
- Passaporte Climático das Cidades vai acompanhar ação dos municípios
- Carros elétricos nas empresas podem gerar 344 mil empregos na UE até 2030
- Subsídios aos combustíveis fósseis poderiam ser canalizados para financiar a saúde
- Regadio precisa de €1,1 mil milhões para concretizar projetos prontos a arrancar