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UE quer candidato europeu à direção-geral da FAO pela primeira vez em 50 anos

Ministros europeus da Agricultura defendem candidatura europeia à liderança da FAO e alertam para fragilidades da PAC e dos seguros agrícolas perante crises climáticas e guerra na Ucrânia.

24 Fev 2026 - 11:44

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Foto: Philippe Buissin / Parlamento Europeu

Foto: Philippe Buissin / Parlamento Europeu

Os ministros da Agricultura da União Europeia (UE) defenderam nesta segunda-feira que “é tempo” de o bloco comunitário apresentar um candidato ao cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla inglesa), sublinhando que nenhum europeu ocupa o posto há mais de 50 anos. A posição foi assumida na reunião do Conselho de Agricultura e Pescas, presidido pelo Chipre, em Bruxelas.

“É mais do que tempo para um diretor-geral da FAO proveniente da União Europeia”, rematou a ministra cipriota Maria Panayiotou, em conferência de imprensa. Com a mudança de liderança prevista para meados de 2027, os ministros consideraram que, “com preparação atempada e coordenação estratégica”, uma candidatura europeia tem condições de ser bem-sucedida, tanto mais que a UE e os seus Estados-membros figuram entre os principais contribuintes financeiros da organização.

A futura Política Agrícola Comum (PAC) após 2027 dominou os trabalhos do dia. Os ministros discutiram o papel das recomendações nacionais da PAC como instrumento de orientação para os planos de parceria que os Estados-membros terão de elaborar para o próximo período de programação. O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, garantiu que estas recomendações “não serão juridicamente vinculativas” e resultarão de “um processo colaborativo e aberto” entre a Comissão e os Estados-membros.

Hansen deixou, porém, o aviso de que assumirá uma atitude “muito vigilante” para preservar o carácter comum da política agrícola europeia, rejeitando que a PAC se fragmente em função das especificidades nacionais.

Tempestades em Portugal marcam agenda

Um dos momentos mais carregados da conferência de imprensa foi o testemunho do comissário Hansen sobre a visita que realizou na semana passada a Portugal e à Andaluzia, em Espanha, regiões devastadas por sucessivas tempestades e cheias severas.

O comissário apontou uma lacuna estrutural no sistema de proteção dos agricultores: a ausência de oferta de seguros agrícolas acessíveis. “Muitos dos nossos agricultores não beneficiam atualmente de seguros porque simplesmente não há oferta”, disse, defendendo a criação de mecanismos de resseguro. Neste contexto, Hansen agradeceu explicitamente a Portugal por ter colocado o tema na agenda do Conselho.

A reserva agrícola europeia, de 450 milhões de euros para 27 Estados-membros por ano, foi classificada pelo comissário como “longe de ser suficiente” face à dimensão dos desafios. O tema da resposta a catástrofes naturais e doenças animais terá uma discussão dedicada na próxima reunião do Conselho, em março.

Hansen abriu a sua intervenção evocando o quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, assinalado nesta terça-feira. O comissário recordou que a Rússia “visou deliberadamente” infraestruturas agrícolas, terras, portos e estradas ucranianas, “transformando a alimentação numa arma” com repercussões nas cadeias de abastecimento globais e dentro da própria UE.

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