Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

3 min leitura

Um dos grandes desafios de 2026: numa democracia não se deve manipular

A IA pode ser uma ferramenta poderosa para acelerar processos e gerar ideias, mas não deve substituir a nossa curiosidade nem o nosso sentido crítico. Por Sofia Santos, CEO da Systemic

02 Jan 2026 - 09:06

3 min leitura

Sofia Santos, CEO da Systemic

Sofia Santos, CEO da Systemic

À medida que entramos em 2026, um dos temas mais críticos para sociedades democráticas será a forma como lidamos com a informação. A liberdade de expressão é um pilar essencial da democracia, mas não pode ser confundida com liberdade para manipular. Esta distinção será, sem dúvida, um dos maiores desafios deste ano.

Vivemos numa era em que a informação circula a uma velocidade sem precedentes. Redes sociais, plataformas digitais e algoritmos amplificam vozes, criam realidades que não existem, distorcem a verdade: conteúdos enviesados, narrativas construídas para influenciar perceções e decisões, textos e frases distantes da verdade, distantes da ciência. Essa manipulação polariza sociedades e fragiliza consensos necessários para enfrentar problemas globais. Essa manipulação insta ao ódio e ao confronto, o que leva a instabilidade e medo. Uma sociedade com medo, é uma sociedade onde se legitima o poder da força…

Em 2026, acredito que o maior desafio será combater essa manipulação sem cair na armadilha da censura. Como garantir que a liberdade de expressão continue a ser protegida, mas que não seja usada como escudo para práticas desonestas? É necessário garantir um equilíbrio delicado entre regulação, educação e responsabilidade individual – tudo isto bem desafiante.

Ter cidadãos capazes de questionar, verificar e interpretar informação são a melhor defesa contra a manipulação. Mas quem faz isto hoje em dia?

É fundamental que as escolas ensinem às crianças que o seu feed nas redes sociais não é o mundo real, mas apenas uma versão filtrada e enviesada dos seus gostos e interesses. Compreender que os algoritmos mostram aquilo que confirma as suas preferências e não a totalidade dos factos é um passo essencial para formar cidadãos críticos e conscientes. Se não cultivarmos esta capacidade desde cedo, estaremos a criar gerações vulneráveis à manipulação e à desinformação. Estaremos a criar uma geração que terá medo, e isso poderá legitimar uma imposição da força.

É essencial que os adultos aprendam a usar a IA de forma a poderem efetivamente acrescentar valor ao mundo em que vivemos, sem cair na preguiça de delegar todo o pensamento às máquinas. A IA pode ser uma ferramenta poderosa para acelerar processos e gerar ideias, mas não deve substituir a nossa curiosidade nem o nosso sentido crítico.  Não pode substituir-se ao nosso sonho sobre o futuro.

Empresas têm aqui um papel crucial, devendo capacitar os seus colaboradores para usar estas tecnologias com discernimento, mas também capacitando-os com ferramentas que lhes permita trazer a criatividade e o pensamento sistémico para a resolução de problemas presentes, num contexto de mudança futura.

2026 será um ano em que os limites entre liberdade e responsabilidade estarão a ser postos à prova. A liberdade de expressão é inegociável, mas não pode servir de pretexto para manipular. Se falharmos neste equilíbrio, arriscamos perder não apenas a verdade, mas a própria essência da democracia.

 

 

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade