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Veículos elétricos evitaram equivalente a 70% das exportações de petróleo do Irão

O petróleo continua a ser a maior vulnerabilidade na economia dos combustíveis fósseis, enquanto os veículos elétricos oferecem a maior alavanca para reduzir as faturas de importação, revela a Ember.

18 Mar 2026 - 08:32

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Foto: Freepik

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A frota global de veículos elétricos evitou o consumo de 1,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, aproximando-se dos 2,4 milhões de barris exportados pelo Irão através do Estreito de Ormuz, segundo uma nova análise do centro de estudos energético global Ember, divulgada nesta quarta-feira.

O relatório destaca o peso crescente dos veículos elétricos na redução da dependência global de combustíveis fósseis, num contexto em que o petróleo continua a representar uma das maiores vulnerabilidades da economia mundial. “O petróleo é o calcanhar de Aquiles da economia global”, afirma Daan Walter, responsável da Ember, sublinhando que a atual crise veio expor, em particular, a vulnerabilidade da Ásia à volatilidade dos mercados energéticos.

Segundo a análise, 79% da população mundial vive em países importadores de petróleo. Cada aumento de 10 dólares no preço do barril traduz-se num acréscimo de cerca de 160 mil milhões de dólares por ano na fatura global de importações.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo, é identificado como um dos principais pontos críticos. A região do Golfo assegura cerca de 29% da oferta global, deixando economias fortemente dependentes, sobretudo na Ásia, que importa 40% do seu petróleo através deste corredor.

Para Daan Walter, “a experiência dos EUA mostra que produzir petróleo internamente não protege as economias de choques de preços globais.” Os preços do petróleo são definidos globalmente, pelo que as perturbações afetam tanto produtores como importadores. No Texas, uma das maiores regiões exportadoras de petróleo do mundo, os preços da gasolina aumentaram mais de 25% desde o início da guerra, um aumento superior ao registado em países importadores de petróleo como o Reino Unido e França, indica o relatório.

Eletrificar transportes

Neste contexto, a eletrificação dos transportes surge como uma alternativa estratégica para os analistas da Ember. Nomeadamente, a substituição do petróleo importado por veículos elétricos poderá reduzir em cerca de um terço as importações globais de combustíveis fósseis, permitindo poupanças na ordem dos 600 mil milhões de dólares por ano.

As tecnologias de eletrificação já existem para mais de três quartos da procura energética global, e todos os países dispõem de recursos renováveis suficientes para satisfazer essa procura com energia eólica e solar doméstica, indica o ‘think thank’. “Ao contrário das crises petrolíferas dos anos 70, existe agora uma alternativa melhor”, disse Walter. “Os veículos elétricos estão cada vez mais competitivos em termos de custo face aos automóveis a gasolina. A volatilidade do petróleo torna os veículos elétricos uma escolha sensata para países que pretendem proteger-se de futuros choques”.

A adoção de veículos elétricos tem vindo a acelerar, especialmente em economias emergentes asiáticas, contribuindo já para abrandar o crescimento da procura de petróleo. Atualmente, 39 países registam uma quota de vendas de veículos elétricos superior a 10%, face a apenas quatro em 2019.

Entre os destaques, o Vietname atingiu uma quota de 38%, ultrapassando a União Europeia (26%), enquanto Tailândia (21%) e Indonésia (15%) superaram os Estados Unidos (10%). Índia (4%) e Brasil (9%) também registaram valores superiores aos do Japão (3%). A China ultrapassou, pela primeira vez, os 50% de quota de vendas de veículos elétricos em 2025.

Os benefícios económicos já são visíveis. Com o petróleo a rondar os 80 dólares por barril, a China poupa mais de 28 mil milhões de dólares por ano em importações evitadas graças à sua frota elétrica, enquanto a Europa poupa cerca de 8 mil milhões e a Índia aproximadamente 600 milhões.

Recorde-se que a Agência Internacional de Energia prevê que o consumo global de petróleo atinja o pico em 2029, mas a atual instabilidade poderá antecipar esse momento. Para a Ember, o crescimento das energias renováveis e da eletrificação será determinante para redefinir a segurança energética global na próxima década.

 

 

 

 

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