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Von der Leyen defende “verdadeira união da energia” e aposta no nuclear e renováveis para reduzir dependências
No Fórum Económico Mundial, líder europeia anunciou regime empresarial único para facilitar expansão de PME e prometeu investimento massivo em interligações energéticas para baixar preços e garantir independência europeia.
20 Jan 2026 - 12:25
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Ursula von der Leyen a discursar em Davos, Suíça
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu, nesta terça-feira em Davos, a construção de uma “verdadeira união da energia” como pilar fundamental da independência europeia. A sua intervenção na cimeria de líderes do Fórum Económico Mundial deste ano colocou a energia, o financiamento às empresas e a transição verde no centro da estratégia de Bruxelas face às mudanças geopolíticas permanentes que atravessam o continente.
“A energia é um estrangulamento, tanto para as empresas como para os agregados familiares”, declarou Von der Leyen, apontando a dispersão de preços entre os diferentes mercados elétricos europeus como sintoma de uma fragmentação que urge resolver. A resposta da Comissão passa por um Plano de Ação para a Energia Acessível que promete investimento massivo em segurança e independência energéticas, com foco em interligações e redes para “as energias produzidas internamente que queremos promover ao máximo – nuclear e renováveis”, proclamou a presidente.
O objetivo é baixar preços, reduzir dependências e pôr fim à volatilidade, manipulação e choques de abastecimento que têm marcado o setor. “Uma energia produzida internamente, fiável, resiliente e mais barata impulsionará o crescimento económico, trará benefícios aos europeus e garantirá a nossa independência”, sublinhou a presidente da Comissão, apelando à aceleração da transição energética.
Novo regime para facilitar expansão das PME
A estratégia energética surge integrada numa visão mais ampla de transformação económica, na qual Von der Leyen anunciou a criação de um novo regime empresarial, batizado de “EU Inc.”, que pretende eliminar barreiras burocráticas à expansão de empresas no mercado único. “Embora no papel o mercado de 450 milhões de europeus lhes esteja aberto, na prática é muito mais complicado”, reconheceu, referindo-se às pequenas e médias empresas (PME) que enfrentam “um novo conjunto de regras sempre que se expandem para um novo Estado-membro”.
O 28.º regime, ainda a ser apresentado por Bruxelas, permitirá aos empreendedores registar uma empresa em qualquer Estado-membro em 48 horas, totalmente online, beneficiando de um regime de capitais harmonizado em toda a UE. Segundo a líder europeia, a ideia é criar condições semelhantes às de mercados uniformes como os Estados Unidos ou a China, facilitando o acesso a financiamento e eliminando obstáculos à operação transfronteiriça.
Esta aposta regulatória surge complementada por uma União da Poupança e do Investimento, destinada a criar um mercado de capitais “de grande escala, profundo e líquido” que permita às empresas, incluindo PME e start-ups, aceder a financiamento a custos mais baixos. Von der Leyen apresentou propostas de integração de mercados e supervisão para garantir que “o capital fluirá para onde é necessário – para scale-ups, PME, inovação e indústria”.
A presidente da Comissão enquadrou estas medidas numa narrativa de “independência europeia” que, reconheceu, gerou ceticismo quando a propôs há cerca de um ano, mas que agora reúne “verdadeiro consenso”. Advertiu que “se esta mudança é permanente, então a Europa também tem de mudar de forma permanente”, rejeitando a nostalgia pela antiga ordem e defendendo que os choques geopolíticos “podem – e devem – servir de oportunidade para a Europa”.
Von der Leyen vincou ainda que a Europa dispõe de campeões globais em setores que vão da energia eólica às baterias de nova geração, mas alertou para a necessidade de “verdadeira ambição” face a uma concorrência global que se tornou “implacável”. A transição energética surge assim não apenas como imperativo ambiental, mas como condição estratégica para a competitividade e segurança europeias, um desígnio que a líder de Bruxelas insiste ter de ser prosseguido “com urgência”.
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