Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

5 min leitura

AIE recomenda a Portugal planeamento “mais robusto” da rede elétrica

Agência Internacional da Energia diz que o país tem uma das eletricidades mais limpas, mas avisa que redes, transportes e indústria exigem mais investimento para cumprir metas climáticas até 2045.

08 Mai 2026 - 07:41

5 min leitura

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

A Agência Internacional da Energia (AIE) recomenda a Portugal um planeamento mais robusto da rede, um enquadramento de investimento mais sólido e uma implementação coordenada à medida que o país continua a transição para as energias renováveis.

Num relatório publicado nesta sexta-feira, a agência liderada por Fatih Birol destaca que Portugal está a fazer “progressos significativos” na transformação do seu sistema elétrico, sustentado por um conjunto diversificado de tecnologias energéticas, mas salienta que serão necessários mais esforços em vários setores para concretizar as metas ambiciosas do país.

Devido ao rápido crescimento da energia solar fotovoltaica nos últimos anos, juntamente com o contributo contínuo da energia hídrica e eólica, a produção de eletricidade em Portugal apresenta atualmente uma das menores intensidades carbónicas entre os países membros da AIE. Segundo a nova Revisão da Política Energética da AIE, isto reforçou a segurança energética do país e reduziu a dependência das importações. No entanto, o relatório refere que será necessário acelerar a eletrificação dos consumos finais em setores como os transportes, os edifícios e a indústria, bem como melhorar as infraestruturas de rede, para concretizar plenamente estes benefícios, reduzindo simultaneamente a dependência energética externa e a exposição à volatilidade dos preços.

“Portugal construiu uma base sólida através de rápidos progressos na eletricidade renovável”, afirma Mary Burce Warlick, diretora-executiva adjunta da AIE. Tendo em conta que a redução das emissões depende cada vez mais da eletrificação em toda a economia, “a eletricidade torna-se central tanto para a segurança energética como para o desenvolvimento económico. Garantir que as redes, os mercados e os enquadramentos de investimento evoluem em linha com a eletrificação será essencial para manter o progresso, assegurando simultaneamente a acessibilidade económica”, acrescenta.

O caminho a seguir por Portugal

O relatório é apresentado nesta sexta-feira em Lisboa, juntamente com o secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca.

A análise faz uma avaliação abrangente das políticas energéticas de Portugal e apresenta recomendações para alcançar um sistema energético seguro, acessível e centrado nas pessoas.

Tendo e conta as “metas ambiciosas” de Portugal, definidas no Plano Nacional Energia e Clima, com objetivos para 2030 e neutralidade climática em 2045, a AIE diz ser necessário o país desenvolver um roteiro nacional baseado em acordos setoriais ascendentes (“bottom-up”), de forma a melhorar a coordenação, alinhar investimentos e proporcionar maior clareza às partes interessadas.

O relatório destaca que a procura de eletricidade já começou a aumentar à medida que a eletrificação acelera nos transportes, nos edifícios e na indústria. Ao mesmo tempo, a crescente quota de produção solar e eólica aumenta a necessidade de flexibilidade do sistema, incluindo armazenamento, gestão da procura e outros recursos capazes de apoiar o equilíbrio da rede em tempo real.

Será também essencial um planeamento mais integrado e proativo das redes. Nomeadametne, segundo a AIE, são necessários investimentos tanto nas redes de transporte como de distribuição para integrar nova capacidade de produção, apoiar a eletrificação e reforçar o comércio transfronteiriço de eletricidade no mercado ibérico.

O relatório destaca ainda a importância de melhorar a coordenação entre os operadores das redes de transporte e distribuição e de alinhar os processos de planeamento nacional e local.

À medida que a eletricidade assume um papel mais relevante no sistema energético global, será cada vez mais importante garantir flexibilidade suficiente. Sobre este aspeto, a agência recomenda o desenvolvimento de um roteiro de flexibilidade baseado em cenários, a expansão da contratação de serviços de sistema através do mercado e a eliminação de barreiras à participação de novas tecnologias.

Transportes são a maior fonte de emissões

Embora o setor elétrico tenha avançado rapidamente, o progresso nos setores de utilização final tem sido mais gradual. Os transportes são atualmente, segundo a AIE, a maior fonte de emissões, impulsionados por uma frota automóvel envelhecida e ineficiente. Apesar de os veículos elétricos terem representado uma quota significativa das novas vendas em 2025, a sua presença no total da frota continua limitada. A AIE recomenda o reforço do apoio à venda de veículos elétricos usados, a aceleração da instalação de infraestruturas de carregamento e o fortalecimento das políticas de incentivo à utilização dos transportes públicos e ferroviários.

No setor industrial português, as emissões mantiveram-se globalmente inalteradas nos últimos anos. Segundo o relatório, é necessária uma estratégia industrial clara, com percursos definidos por subsetor, para orientar o investimento, apoiar a competitividade e tirar partido da eletricidade de baixas emissões de Portugal no desenvolvimento de novas cadeias de valor. No setor dos edifícios, melhorar a eficiência energética e acelerar as renovações profundas será essencial para reduzir os custos das famílias.

 

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade