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Alterações climáticas e El Niño agravam época de incêndios com níveis recorde em 2026
Já mais de 150 milhões de hectares arderam entre janeiro e abril, mais 20% face ao anterior máximo histórico. Cientistas alertam que a combinação entre aquecimento global e um forte El Niño poderá tornar 2026 um dos piores anos em matéria de incêndios.
12 Mai 2026 - 10:49
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Foto: Copernicus
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Foto: Copernicus
Os incêndios florestais registaram níveis sem precedentes em várias regiões do planeta nos primeiros quatro meses de 2026, impulsionados pelas alterações climáticas e por condições meteorológicas extremas que deverão intensificar-se nos próximos meses, conforme alertaram nesta terça-feira investigadores do grupo World Weather Attribution (WWA).
De acordo com dados compilados pelo consórcio científico, mais de 150 milhões de hectares arderam entre janeiro e abril, um valor cerca de 20% superior ao anterior recorde registado no mesmo período. Os cientistas antecipam um agravamento da situação à medida que o verão se aproxima no hemisfério norte e o fenómeno climático El Niño ganha força.
“Embora em muitas partes do mundo a época global de incêndios ainda não tenha atingido o seu auge, este início precoce, aliado à previsão do fenómeno El Niño, significa que nos podemos esperar um ano particularmente grave”, denotou Theodore Keeping, especialista em incêndios florestais do Imperial College London e membro do WWA, em declarações à Reuters.
África é, até agora, o continente mais afetado. Segundo Keeping, cerca de 85 milhões de hectares já arderam este ano, ao ultrapassar em 23% o anterior recorde de 69 milhões. O investigador explica que a atividade invulgarmente intensa resulta de uma rápida transição entre períodos excessivamente húmidos e condições de seca extrema.
As chuvas abundantes registadas na época de crescimento anterior favoreceram o aumento da vegetação herbácea, ao criar condições propícias a incêndios de savana, alimentados pela seca e pelas temperaturas elevadas dos últimos meses.
Também na Ásia os números atingiram máximos históricos. Desde o início do ano, os fogos consumiram cerca de 44 milhões de hectares, quase 40% acima do recorde anterior, estabelecido em 2014. Índia, Myanmar, Tailândia, Laos e China figuram entre os países mais afetados.
El Niño para breve
Os investigadores advertem ainda para o risco de agravamento da situação noutras regiões do globo. Segundo Keeping, o El Niño poderá aumentar significativamente o risco de ondas de calor e secas severas na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e na floresta amazónica. “A probabilidade de incêndios extremos potencialmente devastadores poderá ser a mais elevada das últimas décadas, caso se desenvolva um El Niño forte”, disse o especialista.
O El Niño, associado ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, deverá instalar-se ainda este mês, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas. A instituição já tinha advertido que o fenómeno poderá provocar secas na Austrália, Indonésia e em partes do sul da Ásia, além de cheias noutras partes do mundo e uma subida adicional das temperaturas globais.
Para Friederike Otto, climatóloga do Imperial College London e cofundadora do WWA, a conjugação entre alterações climáticas provocadas pela atividade humana e um episódio intenso de El Niño representa um cenário particularmente preocupante. Citada também pela Reuters, deixou o aviso: “Se ocorrer um fenómeno El Niño de grande intensidade ainda este ano, existe um risco grave de que o efeito das alterações climáticas e do El Niño… resulte em fenómenos meteorológicos extremos sem precedentes”.
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