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Movimento acusa Engie de ter para Trás-os-Montes uma “estratégia de saque disfarçada de transição energética”
Associação da Terra de Miranda critica projetos eólicos e solares da empresa francesa e alerta para impactos ambientais e falta de compensações para a região.
12 Mai 2026 - 08:53
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O Movimento Cultural da Terra de Miranda afirmou nesta segunda-feira que a instalação de “projetos massivos” de torres eólicas e painéis fotovoltaicos no Planalto Mirandês e Douro Superior é “uma estratégia de saque” da Engie “disfarçada de transição energética”.
“O que observámos é que a Engie se prepara, agora, para lançar projetos massivos para instalação de painéis fotovoltaicos e torres eólicas no nosso território e achamos que isto não é desenvolvimento, mas a continuação de uma estratégia de saque, agora disfarçada de transição energética”, disse à Lusa o membro do Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) Óscar Afonso.
Óscar Afonso, que reagia aos quatro projetos de hibridização das centrais hidroelétricas transmontanas previstos pela Engie, acrescentou que, “depois da água, ainda querem roubar o vento e o sol”.
“Achamos que estes recursos [água, vento e sol] pertencem à Terra de Miranda e não podem ser continuados a ser explorados e transformado em euros por uma entidade monopolista sem que haja compensações, havendo aqui uma indústria extratora de recursos”, vincou o também economista.
Segundo os membros da MCTM, o que não se pretende “é que a Terra de Miranda seja uma colónia energética e que o Planalto Mirandês seja transformado num estaleiro industrial ao serviço dos lucros de uma entidade”.
“Queremos uma terra que soube manter a sua língua e a sua cultura e o que não queremos é que a fauna ou a flora sejam prejudicados. A Terra de Miranda não está à venda, os recursos [naturais] não são gratuitos e nem o seu povo é invisível, porque são tão portugueses como um português do Porto ou de Lisboa. Tem de haver compensações face à riqueza aqui produzida”, frisou Óscar Afonso.
O MCTM acredita que a empresa pretende transformar o Planalto Mirandês “num imenso estaleiro industrial ao serviço dos seus lucros e ocupar o território, alterar a paisagem, destruir solos, vegetação, fauna, flora e equilíbrio natural enquanto a riqueza produzida segue para fora”.
“Para cá ficam os impactos. Para cá ficam os danos. Para cá ficam as cicatrizes. O dinheiro, esse, parte a voar. Estes projetos produzirão biliões de euros em energia elétrica. Biliões gerados com recursos que são nossos, em território que é nosso, à custa da paisagem que herdámos, da agricultura que sustenta famílias, da biodiversidade que nos pertence e da dignidade de uma região que há décadas é tratada como periferia descartável”, escreve o MCTM, numa nota enviada hoje à Lusa.
Em causa está o projeto de hibridização da Central Hidrolétrica de Picote, através de um projeto eólico que prevê instalar 35 aerogeradores com uma estimativa de produção de 157,5 Megawatts, e três projetos de hibridização em três centrais elétricas transmontanas, através de projetos fotovoltaicos com capacidade de cerca de 354 Megawatts-pico (MWp).
À Lusa, a Engie optou por não revelar o valor global destes investimentos, justificando que, “por estar ainda numa fase muito embrionária”, existem “muitas variáveis que poderão condicionar a evolução dos mesmos”, pelo que “seria prematuro e algo especulativo avançar com um montante”.
A empresa está a realizar apresentações e auscultações públicas destes projetos.
De acordo a empresa, “os projetos fotovoltaicos e eólicos estão ainda numa fase muito inicial, a dar os primeiros passos no sentido de iniciar o licenciamento ambiental”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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