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Central de Cervejas aposta em energia renovável para produzir cerveja mais sustentável
Unidade de Vialonga inaugura sistema inovador que reaproveita calor dos processos industriais e reforça meta de neutralidade carbónica até 2030.
16 Jun 2026 - 08:02
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Fábrica de Vialonga
A Central de Cervejas inaugurou um investimento de 33,5 milhões de euros para produzir cerveja com menos emissões de carbono, cofinanciado em 8,8 milhões pelo PRR e numa parceria com a Siemens Portugal.
Em comunicado, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC) – que integra o grupo Heineken desde 2008 e produz e engarrafa na unidade de produção de Vialonga (concelho de Vila Franca de Xira) as cervejas da marca Sagres – destaca que este investimento ali realizado irá reduzir para metade as emissões de dióxido de carbono associadas à energia térmica (o equivalente a 7.381 toneladas por ano) e permitir ganhos de eficiência energética de 39% no consumo de energia primária.
Destacado como “um dos projetos mais críticos” no processo de descarbonização da empresa, que desde 2017 já investiu 135 milhões de euros na transição energética das suas unidades de produção, o projeto assenta num sistema de recuperação de energia baseado numa bomba de calor.
“Na prática, o sistema irá gerar energia térmica recuperando o calor excedente proveniente dos processos de refrigeração e utilizando eletricidade produzida a partir de fontes renováveis (solar/eólica)”, lê-se no comunicado.
Segundo explica, a energia térmica resultante é depois distribuída através de um circuito de água quente, substituindo parcialmente o vapor gerado pelas caldeiras a gás natural.
Atualmente, a energia térmica representa cerca de dois terços da energia total consumida nas operações da Cervejeira de Vialonga e é considerada “uma das áreas mais desafiantes de descarbonizar”.
Esta energia é necessária nas diferentes atividades de produção da cerveja e de transformação da cevada em malte, sendo atualmente obtida sobretudo a partir de gás natural.
Citado no comunicado, o diretor-geral da SCC garante que a empresa quer “liderar e acelerar a descarbonização da indústria cervejeira, apoiando as ambições globais da Heineken e mostrando que é possível conciliar crescimento económico, inovação industrial e sustentabilidade”.
“Este projeto é um exemplo concreto dessa visão: resulta da colaboração entre parceiros de excelência e com elevada experiência, de investimento próprio privado com apoio das políticas públicas e da determinação das nossas equipas. Mais do que reduzir emissões, estamos a reinventar a forma como produzimos, tornando a nossa operação mais eficiente, resiliente e preparada para os desafios do futuro”, afirma Julien Haex.
Já a presidente executiva (CEO) da Siemens em Portugal, Sofia Tenreiro, sustenta que este “é um exemplo de tecnologia com propósito”.
“No coração da solução está uma bomba de calor de alta temperatura de seis megawatts – uma das primeiras a esta escala em Portugal – que recupera energia antes desperdiçada. Isto só foi possível graças a uma parceria entre duas empresas que combinam conhecimento industrial e tecnológico e partilham a mesma visão de que a inovação e a tecnologia são o caminho mais eficaz para uma indústria mais sustentável, mais eficiente e mais competitiva”, enfatiza.
No âmbito do processo de transição energética iniciado há mais de uma década, a SCC já instalou painéis solares nas suas unidades de produção, reduzindo os consumos de referência, e, desde 2024, alimenta as operações com eletricidade 100% renovável.
Propondo-se atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030, a Cervejeira de Vialonga passará, então, a produzir cerveja com energia 100% renovável, tendo em vista a meta de descarbonização de toda a sua cadeia de valor até 2040.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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