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Portugal quer aposta em mais financiamento na recuperação da natureza na COP17 sobre biodiversidade
Segundo o Ministério do Ambiente, a participação portuguesa na COP17 deverá servir para apresentar os avanços nacionais na conservação da natureza e os investimentos previstos para a biodiversidade.
19 Out 2026 - 11:08
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Acelerar a execução dos compromissos já assumidos, mobilizar financiamento público e privado e garantir que os investimentos resultam na recuperação de espécies e ecossistemas são algumas das prioridades de Portugal para a a 17.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), que arranca nesta segunda-feira, em Erevan, na Arménia.
De acordo com o Ministério do Ambiente e Energia, “Portugal chega à COP17 com uma posição clara”. O país, alinhado com as prioridades da União Europeia, vai defender o reforço dos mecanismos de financiamento da biodiversidade, incluindo o desenvolvimento de “instrumentos inovadores”, como os créditos de natureza.
Para o Governo, é ainda fundamental acelerar a implementação do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, concretizar a meta de proteção de 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030 e reforçar os mecanismos internacionais de acompanhamento e avaliação dos compromissos assumidos.
“A COP17 deve marcar uma nova etapa na proteção da biodiversidade. Não precisamos apenas de novas metas. Precisamos de executar as que já foram acordadas, assegurar os recursos financeiros necessários e demonstrar que a recuperação da natureza é possível. Portugal quer contribuir para esse objetivo com medidas concretas, investimento e resultados”, afirma a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em comunicado enviado ao Jornal PT Green.
Segundo o Ministério, a participação portuguesa na COP17 deverá servir também para apresentar os avanços nacionais na conservação da natureza e os investimentos previstos para a biodiversidade.
Assim, o Governo destaca que Portugal foi o terceiro Estado-Membro da União Europeia a submeter à Comissão Europeia, em 27 de agosto de 2026, o projeto de Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN). “A prioridade passa agora por transformar o planeamento em intervenções concretas, com financiamento, acompanhamento e resultados mensuráveis”, lê-se no comunicado.
Além disso, relembra ainda que Portugal está a concluir a designação das 61 Zonas Especiais de Conservação (ZEC) da Rede Natura 2000. Atualmente, estão concluídos 59 processos, e os dois restantes estão em fase de aprovação.
Ainda em 2026, está previsto o lançamento de um programa de financiamento de 10 milhões de euros, com apoio dos EEA Grants, destinado ao restauro de habitats nestas áreas.
Já no meio marinho, o Ministério realça a nova Reserva Natural Marinha Rei Dom Carlos, com cerca de 173 mil quilómetros quadrados, que permitirá proteger o complexo de montes submarinos Madeira-Tore e o Banco de Gorringe, elevando para cerca de 25% a área marinha protegida sob soberania nacional.
Em destaque na participação portuguesa vão estar ainda o PRO RIOS 2030 (Programa de Ação para o Restauro Ecológico de Rios e Ribeiras), que pretende recuperar ecossistemas fluviais, melhorar a qualidade ambiental das linhas de água e reforçar a resiliência dos territórios e o PRO NAT.URBE (Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas), que promove a recuperação da natureza nas cidades, contribuindo para a biodiversidade, a adaptação às alterações climáticas e a qualidade de vida das populações.
No que diz respeito à recuperação de espécies particularmente vulneráveis, nomeadamente aves estepárias como o sisão, a abetarda, o rolieiro e o tartaranhão-caçador, o país defende que a conservação exige “uma articulação mais estreita entre as políticas de biodiversidade e as práticas agrícolas”, promovendo modelos de gestão que conciliam a produção com a preservação dos habitats naturais.
Segundo o Governo, o Plano para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores prevê um financiamento de 2 milhões de euros em 2026 e 2027, destinado à concretização de medidas prioritárias para proteger espécies essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas e à produção agrícola.
Em termos de financiamento, a União Europeia identifica um défice global anual de financiamento da biodiversidade estimado em 700 mil milhões de dólares, tornando indispensável a mobilização de novos recursos.
Portugal acompanha, segundo comunicado, a prioridade europeia de desenvolver mecanismos que complementem o financiamento público, designadamente através da mobilização de investimento privado e da criação de instrumentos como os créditos de natureza.
Estes mecanismos deverão permitir “reconhecer e valorizar os benefícios ambientais produzidos por projetos de conservação e restauro”, garantindo que o financiamento corresponde a melhorias efetivas, adicionais e verificáveis da biodiversidade.
Portugal defenderá ainda o reforço da transparência e da monitorização dos resultados, evitando práticas de greenwashing e assegurando que os recursos mobilizados produzem benefícios reais para os ecossistemas.
Para o Ministério, o sucesso da COP17 deverá ser medido pela capacidade de acelerar a aplicação das 23 metas do Quadro Mundial de Biodiversidade de Kunming-Montreal, reforçando simultaneamente os instrumentos de financiamento e os mecanismos de avaliação dos resultados.
O Governo português pretende, assim, demonstrar que “é possível passar dos compromissos internacionais à ação concreta”, através do Plano Nacional de Restauro da Natureza, da expansão das áreas marinhas protegidas, dos novos programas de recuperação dos ecossistemas e do investimento na conservação de espécies ameaçadas.
“A proteção da biodiversidade não é apenas uma responsabilidade ambiental. É também uma condição para a nossa segurança, para a resiliência dos territórios e para o futuro da economia. Portugal quer estar na linha da frente desta transformação, mostrando que investir na natureza é investir no futuro”, conclui Maria da Graça Carvalho.
A COP17 decorre até dia 30 de novembro e deverá servir para avaliar os progressos alcançados e acelerar a concretização das metas globais de proteção da natureza até 2030.
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