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Códigos de construção preparados para carros elétricos aceleram adoção, conclui estudo nos EUA
Introdução de códigos de construção “EV-ready” no estado de Maryland em 2019 levou a subida de 28% no número de veículos elétricos registados, embora os benefícios se concentrem sobretudo em zonas mais ricas e dominadas por moradias unifamiliares.
10 Mai 2026 - 09:35
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As regras de construção que obrigam novas casas e edifícios residenciais a ficarem preparados para a instalação de carregadores de veículos elétricos podem ser uma das formas mais eficazes e baratas de acelerar a transição verde automóvel. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Nature, que analisou o impacto destas medidas no estado norte-americano de Maryland.
A investigação acompanhou dados de registo automóvel entre 1999 e 2024 e concluiu que a introdução de códigos de construção “EV-ready” no condado de Howard, em 2019, levou a um aumento médio de 0,25 veículos elétricos por quarteirão censitário por ano. Em termos relativos, isso representa uma subida de 28% face ao período anterior à medida.
O conceito de “EV-ready” refere-se a edifícios construídos já com a pré-instalação elétrica necessária para pontos de carregamento. No caso analisado, todas as novas habitações unifamiliares com garagem, alpendre ou entrada automóvel passaram a ser obrigadas a incluir cablagem para carregadores de nível 2. Nos edifícios multifamiliares, passou também a ser exigido pelo menos um posto de carregamento instalado por cada 25 agregados.
Segundo os autores, Jiehong Lou e Deb Niemeier, da Universidade de Maryland, a medida teve impacto sobretudo nos veículos totalmente elétricos, e menos nos híbridos ‘plug-in’. Os primeiros registaram um crescimento de 53% relativamente ao período anterior à política, enquanto os segundos aumentaram apenas 12%.
A explicação, defendem os investigadores, está na dependência mais forte que os veículos totalmente elétricos têm do carregamento doméstico. “O acesso fácil ao carregamento em casa influencia diretamente a disposição das pessoas para comprar um veículo elétrico”, escrevem os autores, citando estudos segundo os quais cerca de 80% dos utilizadores carregam os carros em casa.
Instalar pontos de carregamento ao construir sai mais barato
O estudo salienta também a dimensão económica da problemática. Instalar infraestrutura de carregamento durante a construção inicial pode ser entre 64% e 75% mais barato do que adaptar edifícios já existentes. Em alguns casos, os custos de adaptação podem ser até oito vezes superiores.
Contudo, os benefícios da política não foram distribuídos de forma homogénea. A análise mostra que os melhores resultados ocorreram em zonas de rendimento elevado e com maior concentração de moradias unifamiliares. Nas áreas dominadas por edifícios multifamiliares, o impacto foi significativamente menor.
Os autores alertam, por isso, para o risco de estas políticas reforçarem desigualdades já existentes no acesso à mobilidade elétrica. “Isto sugere que são necessários esforços mais direcionados nas comunidades sub-representadas que necessitam de apoio adicional para facilitar a adoção rápida e equitativa de veículos elétricos”, defendem.
Apesar dessas limitações, o estudo argumenta que os códigos de construção preparados para veículos elétricos representam uma ferramenta particularmente relevante numa altura em que os incentivos públicos à compra de elétricos estão sob pressão política e orçamental nos Estados Unidos. Ao contrário dos subsídios diretos, os custos administrativos destas medidas são reduzidos e recaem sobretudo na fase inicial de construção.
Os investigadores estimam que, se uma política semelhante fosse aplicada em todo o estado de Maryland, poderia contribuir para mais de 13 mil a 21 mil novos veículos elétricos nos próximos cinco anos.
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