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Conflito no Irão deverá afetar carros a gasolina e gasóleo cinco vezes mais do que os elétricos
“Um Trump ou um ayatollah podem controlar as torneiras do petróleo, mas não conseguem controlar o vento e o sol”, reitera diretor da T&E. Estudo da organização mostra que choque no petróleo expõe vulnerabilidade dos carros a combustível na Europa.
17 Mar 2026 - 17:55
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Com os preços globais do petróleo a disparar para mais de 100 dólares por barril, a guerra que agita o Golfo Pérsico está a transformar-se rapidamente numa conta inesperada para milhões de europeus. Mas não afeta todos da mesma forma. Segundo uma análise da organização ambiental Transport & Environment (T&E), os condutores de carros a gasolina e gasóleo poderão sentir um impacto financeiro até cinco vezes superior ao dos proprietários de veículos elétricos, caso o preço do petróleo permaneça elevado devido ao conflito no Irão.
A análise divulgada nesta terça-feira surge no mesmo dia em que ministros do Ambiente da União Europeia se reúnem em Bruxelas para discutir possíveis alterações às metas climáticas aplicadas aos fabricantes de automóveis, um debate que poderá determinar o ritmo da transição para veículos elétricos no bloco comunitário.
De acordo com o estudo, abastecer um carro médio a gasolina custaria cerca de 14,20 euros por cada 100 quilómetros nas atuais condições de mercado, um aumento de 3,80 euros associado à subida do petróleo. No caso dos veículos elétricos, o custo médio de carregamento seria de 6,50 euros por 100 quilómetros, mais 70 cêntimos, refletindo sobretudo o aumento do preço da eletricidade ligado ao encarecimento do gás.
A diferença torna-se ainda mais evidente nas frotas empresariais, que percorrem grandes distâncias. Para cada veículo a gasolina, o custo adicional mensal poderá chegar a 89 euros. Já um veículo elétrico acrescentaria cerca de 16 euros por mês à fatura energética da empresa.
O relatório sustenta que a exposição da Europa às flutuações do mercado global de petróleo continua a ser significativa. Em 2025, a União Europeia importou cerca de mil milhões de barris de petróleo apenas para automóveis, num custo aproximado de 67 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, os cerca de oito milhões de veículos elétricos já em circulação no continente evitaram a importação de 46 milhões de barris de petróleo mesmo ano, o equivalente a uma poupança de cerca de 2,9 mil milhões de euros.
Segundo os autores, acelerar a eletrificação do transporte rodoviário poderia reduzir substancialmente essa dependência. Uma política mais ambiciosa de eletrificação na mobilidade poderia diminuir as importações de petróleo em 45 mil milhões de euros entre 2026 e 2035, em comparação com um cenário em que as metas são enfraquecidas.
O debate decorre num momento em que parte da indústria automóvel e alguns líderes europeus, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, defendem a flexibilização das normas de emissões de CO2 para automóveis e contestam metas mais exigentes para a eletrificação das frotas empresariais.
“Os condutores de carros a gasolina são sempre os mais penalizados quando há um choque no petróleo”, argumentou o diretor para automóveis da T&E, Lucien Mathieu. Na sua opinião, expandir rapidamente o uso de carros elétricos é a forma mais eficaz de proteger os consumidores da volatilidade dos mercados energéticos. “Um Trump ou um ayatollah podem controlar as torneiras do petróleo, mas não conseguem controlar o vento e o sol”, rematou.
A T&E defende também metas para eletrificar as frotas de grandes empresas. Estes veículos são frequentemente vendidos após poucos anos de utilização, alimentando o mercado de carros usados. Segundo a organização, políticas mais ambiciosas poderiam colocar até 3,6 milhões de veículos elétricos adicionais no mercado de segunda mão até 2035, tornando-o mais acessível.
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