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Conselho Europeu quer levar bioeconomia do laboratório à indústria até 2040
Com nova estratégia apresentada por Bruxelas, líderes europeus querem apostar na bioeconomia, expandir mercados sustentáveis e transformar um setor já responsável por milhões de empregos e biliões em valor económico.
18 Mar 2026 - 13:52
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Ministra da Agricultura do Chipre, Maria Panayiotou | Foto: União Europeia
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Ministra da Agricultura do Chipre, Maria Panayiotou | Foto: União Europeia
O Conselho Europeu aprovou conclusões sobre uma nova estratégia para levar a bioeconomia do laboratório à escala industrial, numa altura em que a União Europeia procura reduzir a sua dependência de combustíveis fósseis e consolidar a sua autonomia estratégica.
A iniciativa, que endossa a nova estratégia apresentada pela Comissão Europeia em novembro de 2025, posiciona a bioeconomia (que utiliza recursos biológicos renováveis para produzir alimentos, energia e bens industriais) como um dos pilares centrais da competitividade europeia até 2040.
“A transformação impulsionada pela bioeconomia já é tangível em toda a Europa, desde produtos de uso diário de base biológica, como bálsamos labiais de cera de abelha e têxteis de linho, até materiais de ponta, como peças para automóveis fabricadas a partir de resíduos de oliveira”, explica Maria Panayiotou, ministra da Agricultura do Chipre, país que detém neste momento a presidência do Conselho.
O desafio agora, segundo o Conselho, é ampliar estas soluções para níveis que transformem mercados. Para isso, defende a simplificação regulatória, a aceleração de processos de aprovação e o estímulo ao investimento privado. No centro desta abordagem está a identificação e reforço de setores de alto potencial (mercados líderes).
Embora áreas como plásticos de base biológica, produtos químicos e fertilizantes já estejam identificadas, o Conselho sugere alargar o âmbito a setores como o têxtil, o papel ou a chamada bioeconomia azul, que inclui o uso de algas e organismos marinhos.
A Europa parte de uma posição relativamente sólida, com cerca de 90% da biomassa consumida no bloco a ser produzida internamente. Ainda assim, o Conselho alerta que esta vantagem só será sustentável com uma gestão rigorosa dos recursos por parte dos Estados-membros. Isso implica uma maior utilização de subprodutos, resíduos orgânicos e biomassa secundária, de forma a reduzir a pressão sobre os ecossistemas e a evitar choques com a produção alimentar.
Além disso, a bioeconomia já emprega cerca de 17,1 milhões de pessoas na União Europeia, aproximadamente um em cada doze trabalhadores, e gera um valor estimado de 2,7 biliões de euros. É, segundo as instituições europeias, um dos setores de crescimento mais rápido, combinando potencial económico com objetivos ambientais.
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