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Custos de transporte e logística aumentam mais de 500% e agravam riscos para segurança energética
Peso dos custos logísticos no custo de um barril de petróleo passou de menos de 5% para mais de 30%, na sequência da crise no Estreito de Ormuz.
02 Nov 2026 - 17:01
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O peso dos custos de transporte marítimo e logística no custo de um barril de petróleo aumentou de menos de 5% para mais de 30%, uma subida superior a 500% que está a alterar profundamente a economia da segurança energética. O alerta foi lançado por Sultan Al Jaber, ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos e presidente executivo da prolifera estatal ADNOC, nesta segunda-feira, na abertura da ADIPEC 2026, uma das maiores conferências internacionais dedicadas à energia, realizada anualmente em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
“A indústria energética mundial tem de repensar profundamente a forma como constrói, protege e assegura o fornecimento de energia, na sequência de um ano de perturbações sem precedentes que expôs vulnerabilidades críticas nas cadeias de abastecimento internacionais”.
No seu discurso, que segundo informação veiculada pela ADNOC, ocorreu “perante uma assistência recorde”, Al Jaber referiu que, no decorrer desta crise energética, quase mil milhões de barris foram retirados das reservas mundiais e que, em alguns mercados, os stocks de gasóleo estarão no nível sazonal mais baixo dos últimos 35 anos, existindo um défice de abastecimento de GNL de 600 mil milhões de pés cúbicos.
Perante os novos cenários, Al Jaber afirmou que a preparação é essencial para enfrentar um contexto mundial cada vez mais incerto. “Durante décadas, a segurança energética foi uma questão para especialistas. Era debatida em salas como esta, por pessoas como nós, numa linguagem que poucos precisavam de aprender. Este ano, todas as famílias, todos os agricultores, todas as indústrias e todos os empresários estão a questionar-se sobre o assunto, e a nossa responsabilidade coletiva é encontrar as respostas”, referiu.
Reconhecendo que não é possível controlar todas as situações nem eliminar todos os riscos, Al Jaber afirmou ainda que “as escolhas que fazemos hoje determinarão o panorama energético daqui a uma década”. Como exemplo das parcerias estratégicas necessárias para reforçar a resiliência e preparar os desafios futuros, Al Jaber destacou a nova colaboração da ADNOC com a OpenAI e a G42, que irá utilizar inteligência artificial de ponta para tornar os sistemas energéticos mais inteligentes, seguros, protegidos e produtivos.
Medidas para reduzir perturbações energéticas
No seu discurso, Al Jaber apresentou cinco medidas que a indústria energética pode adotar para reduzir o impacto de futuras perturbações. Nomeadamente, expandir a capacidade de armazenamento estratégico, aumentar as reservas de produtos e dispor de capacidade de refinação flexível mais próxima dos mercados consumidores.
Em segundo lugar, defendeu mais rotas para os mercados apoiadas por uma logística avançada.
Propôs também modernizar as operações, passando de operações automatizadas para sistemas energéticos inteligentes, capazes de antecipar riscos, otimizar o desempenho e reduzir o custo de cada barril. Neste ponto, referiu a ambição de tornar a petrolífera que gere na primeira empresa energética do mundo a implementar a plataforma OpenAI Frontier.
Em quarto lugar colocou a necessidade e criar confiança. “As políticas públicas têm de criar essa confiança, o financiamento tem de acelerá-la e os seguros têm de manter o comércio em movimento”, referiu.
Em quinto lugar colocou o ativo que considera mais importante – “as pessoas” -, salientando que “os sistemas não assumem responsabilidades; as pessoas, sim”.
A organização da ADIPEC 2026 prevê uma participação recorde de mais de 239 mil pessoas, provenientes de mais de 170 países, mais de 2250 empresas expositoras, 1800 oradores e 30 pavilhões nacionais. Decorre de 2 a 5 de novembro.
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