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Regressar à meta de 1,5 °C pode travar parte das perdas de gelo no planeta

Um novo relatório aponta as energias renováveis e as tecnologias de armazenamento em baterias como “soluções concretas para fazer baixar novamente as temperaturas após a ultrapassagem da meta" do Acordo de Paris.

02 Nov 2026 - 11:27

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Foto Pixabay

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Ultrapassar o limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris representa consequências graves e irreversíveis para os glaciares e para os oceanos polares. No entanto, o estudo “Exceder o limite e a criosfera: evitar o degelo global”, publicado nesta segunda-feira pela International Cryosphere Climate Initiative (ICCI, na sigla original), em coordenação com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) mostra que, através de reduções profundas das emissões e de remoção de carbono da atmosfera em larga escala, estas consequências ainda podem ser limitadas. 

O relatório, divulgado a poucos dias do arranque da COP31, aponta alternativas mais limpas como as energias renováveis e as tecnologias de armazenamento em baterias como “soluções concretas para fazer baixar novamente as temperaturas após a ultrapassagem da meta”.

Segundo os especialistas, estas medidas têm agora de ser expandidas, de modo a reduzir as emissões em pelo menos 5% por ano, com efeitos imediatos, e alcançar a neutralidade carbónica em termos de gases com efeito de estufa até meados do século.

O relatório sublinha que não pode haver atrasos na eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, de forma a preservar a possibilidade de reduzir as temperaturas no futuro através da remoção de carbono da atmosfera.

“Há décadas que os cientistas especializados na criosfera têm vindo a lançar o alerta: o gelo é importante e, por cada aumento das concentrações de CO2, os impactos globais da sua perda tornar-se-ão cada vez mais devastadores. Chegou a altura de ouvirmos os avisos e agirmos em conformidade”, escreveu Christiana Figueres, antiga secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) no prefácio do estudo.

Assim, o relatório identifica três benefícios principais de limitar a ultrapassagem da meta de 1,5 °C e fazer regressar as temperaturas a esse nível ou abaixo. O primeiro benefício identificado é abrandar a subida do nível do mar, dando às comunidades costeiras mais tempo para se adaptarem. 

Embora a perda de algumas camadas de gelo polares provoque, inevitavelmente, uma subida do nível do mar de vários metros ao longo dos próximos séculos, a velocidade com que o degelo acontece pode ainda ser limitada. 

O segundo benefício passa por travar e inverter parcialmente a perda de glaciares, neve e gelo marinho. Assim, o regresso a temperaturas de 1,5 °C ou inferiores poderia permitir a recuperação de parte dos glaciares e do gelo marinho ao longo de décadas ou séculos, bem como a reposição de níveis mais estáveis de cobertura de neve. 

Por último, ao limitar a ultrapassagem da meta de 1,5 °C, seria ainda possível controlar o degelo do permafrost e os riscos associados. O descongelamento destes solos pode provocar instabilidade no terreno e libertar dióxido de carbono e metano para a atmosfera, intensificando o aquecimento global e criando um ciclo de retroação climática que exigirá uma remoção ainda maior de carbono da atmosfera no futuro.

No entanto, atualmente os efeitos da subida das temperaturas já são visíveis em várias regiões do mundo. O relatório destaca as inundações devastadoras registadas em agosto na fronteira entre o Nepal e a China, que provocaram milhares de mortos, bem como a aceleração da subida do nível do mar, que ameaça centenas de milhões de pessoas, e os riscos de perturbações irreversíveis nos oceanos e nos sistemas meteorológicos.

No início de setembro, tal como noticiado pelo Jornal PT Green, a ONU indicou um aumento provável da temperatura de 1,8 °C no cenário mais favorável. O cenário mais otimista prevê que o aumento da temperatura atinja um pico de 1,8 °C acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris.

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