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ONU traça novo cenário mínimo de 1,8°C de aquecimento global
Relatório indica que limite de 1,5 °C de aquecimento global deverá ser ultrapassado nos próximos anos. ONU defende uma aceleração imediata da redução das emissões, abandono dos combustíveis fósseis e proteção dos ecossistemas, para minimizar ultrapassagem da meta do Acordo de Paris.
03 Set 2026 - 06:46
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O limite de 1,5 °C de aquecimento global estabelecido pelo Acordo de Paris, em 2015, deverá ser ultrapassado nos próximos anos, alerta a Organização das Nações Unidas (ONU) num novo relatório, que indica um provável aumento da temperatura de 1,8 °C no cenário mais favorável.
Contudo, segundo a organização, ainda é possível limitar a dimensão e a duração desse excesso. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para tal é necessária uma ação climática “mais rápida e ambiciosa”, dado que “cada fração adicional de grau terá custos humanos, económicos e ambientais”, refere a organização mundial.
“A luta pelos 1,5 graus é a luta pela humanidade”, afirmou Guterres, frisando que “estamos prestes a ultrapassar o limite de 1,5 °C nos próximos anos”.
O cenário mais otimista prevê que o aumento da temperatura atinja um pico de 1,8 °C acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. A maioria dos restantes cenários prevê picos superiores.
Entre os impactos previstos estão fenómenos meteorológicos extremos mais intensos, perda de ecossistemas e submersão de pequenos Estados insulares em desenvolvimento e de cidades costeiras de baixa altitude.
São também esperados “graves danos” para a saúde humana, a segurança alimentar, o abastecimento de água, a natureza, as cidades, as infraestruturas e as economias.
O relatório alerta que a probabilidade de ultrapassar pontos de inflexão irreversíveis aumenta com a magnitude e a duração das temperaturas mais elevadas. Entre estes estão a desestabilização de grandes mantos de gelo, a degradação da floresta amazónica e a perturbação da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico, o sistema de correntes que transporta águas superficiais quentes para norte e águas profundas frias para sul e que desempenha um papel fundamental na regulação do clima.
Alguns impactos poderão surgir de forma abrupta, enquanto outros se acumularão ao longo do tempo.
Limitar a ultrapassagem
No entanto, segundo a ONU, ainda é possível fazer baixar as temperaturas e alcançar os objetivos globais estabelecidos no Acordo de Paris.
O relatório “Limiting Overshoot” identifica uma trajetória de “ultrapassagem, pico e descida” como a melhor opção que resta para minimizar a dimensão e a duração da ultrapassagem dos 1,5 °C e tentar regressar abaixo desse limite o mais rapidamente possível.
“O calor abrasador deste verão, os incêndios florestais de grandes proporções e as inundações mortais são um alerta para o que está por vir. Temos de tornar a ultrapassagem dos 1,5 graus tão pequena e tão curta quanto possível. Isso exige uma ultrapassagem da ambição”, salienta António Guterres.
Esta trajetória permitiria minimizar o pico do aumento da temperatura através de reduções imediatas e sustentadas das emissões de gases com efeito de estufa, incluindo o metano, no caminho para a neutralidade carbónica, e fazer baixar as temperaturas através de emissões líquidas negativas a longo prazo. A remoção de dióxido de carbono (CDR), através de processos como a reflorestação ou outros métodos de remoção e armazenamento de carbono da atmosfera, será uma componente essencial.
Ao mesmo tempo, seguir esta trajetória implicaria medidas de adaptação destinadas a reduzir a vulnerabilidade das sociedades, comunidades e economias aos impactos atuais, previstos e inesperados das alterações climáticas.
O relatório salienta que esta trajetória reduziria os riscos e impactos, tornaria a adaptação menos difícil e dispendiosa e aumentaria as possibilidades de fazer baixar as temperaturas.
“Não existem bons resultados se permanecermos acima dos 1,5 °C. Em todo o mundo, as ondas de calor extremas já estão a demonstrar que os impactos climáticos vão ocorrer mais rapidamente, ser mais intensos e prolongar-se durante mais tempo — causando mais mortes e perturbações mais profundas”, afirma Inger Andersen, diretora executiva do PNUA.
“Agora é o momento de reforçarmos a ação climática. Podemos e temos de voltar ao caminho certo, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa, reforçando a resiliência e a adaptação e garantindo que a ultrapassagem dos 1,5 °C seja tão pequena e tão curta quanto possível.”
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