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Diretores de Sustentabilidade acreditam que dinamismo comercial vai impulsionar progresso climático

Primeiro inquérito do Fórum Económico Mundial a estes profissionais conclui que a transição global para a sustentabilidade está a avançar, sustentada por uma clara lógica económica, apesar da fragmentação geopolítica.

15 Set 2026 - 17:43

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Foto: Freepik

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A transição global apresenta sinais claros de progresso, sustentado pelo dinamismo comercial e tecnológico, apesar dos entraves significativos decorrentes da fragmentação geopolítica e da forte pressão sobre o desempenho a curto prazo. Esta é a principal conclusão do relatório ‘Chief Sustainability Officers Outlook’, publicado nesta terça-feira pelo Fórum Económico Mundial. Trata-se do primeiro inquérito da organização a estes profissionais a nível global.

A análise, realizada no decorrer das consequências globais provocadas pelo conflito no Médio Oriente, revela que os diretores de sustentabilidade estão a enfrentar a volatilidade geoeconómica com mais convicção do que cautela. Cerca de 63% esperam que o progresso global em matéria de sustentabilidade se mantenha estável ou acelere nos próximos 12 meses, e três em cada quatro preveem o mesmo para o investimento das empresas relacionado com a transição, impulsionado por uma “clara justificação económica” (64%) e por tecnologias cada vez mais direcionadas (56%).

Os analistas identificam uma “divergência verde”, ou seja, uma transição que se divide entre setores e regiões que avançam a velocidades muito diferentes, mesmo quando a economia verde global, que deverá ultrapassar os 7 biliões de dólares em 2030, se mostra como um dos segmentos de crescimento mais rápido da economia mundial.

“Os diretores de sustentabilidade estão a dizer-nos que a transição já não é uma questão de ambição, mas de execução”, afirma Sebastian Buckup, diretor-geral do Fórum Económico Mundial. «”À medida que as empresas ancoram deliberadamente as estratégias de sustentabilidade nas necessidades de crescimento, segurança e resiliência, a velocidade de execução e as prioridades divergem cada vez mais entre regiões e setores”, acrescenta.

Ainda assim, cerca de 78% dos diretores de sustentabilidade esperam que os ventos contrários geopolíticos e macroeconómicos, desde os conflitos à inconsistência das políticas e ao enfraquecimento do multilateralismo, prejudiquem o progresso no próximo ano. Mas, em vez de um abrandamento uniforme, estes profissionais esperam que alguns setores e mercados avançam graças a uma lógica económica clara, enquanto outros ficam estagnados devido à incerteza das políticas ou à falta de convicção dos conselhos de administração.

De salientar também que 73% dos diretores de sustentabilidade esperam que a inteligência artificial acelere significativamente o progresso em matéria de sustentabilidade no próximo ano, sobretudo nas áreas da medição, elaboração de relatórios, eficiência e modelização de riscos. No entanto, 77% apontam a intensidade energética e de recursos das próprias infraestruturas de IA como o seu impacto negativo mais significativo, numa altura em que os centros de dados já representam cerca de 1,5% da procura mundial de eletricidade.

Adaptação capta a liderança

O FEM conclui também que a adaptação se vai tornar numa prioridade global nos próximos três anos, isto tendo em conta a opinião de 85% dos diretores de sustentabilidade. Já 77% afirmam que o investimento do setor privado será decisivo para a sua expansão.

Como salienta o relatório, o desafio já não é reconhecer os riscos físicos, mas demonstrar o valor do investimento em resiliência. Esta mudança tornou-se evidente este 2026, quando o calor extremo e os incêndios florestais obrigaram empresas e seguradoras a confrontar os custos da falta de preparação.

“A conversa está a passar da questão de saber se devemos agir em matéria de sustentabilidade para a questão de saber com que rapidez podemos provar que essa ação compensa. Atualmente, espera-se que os diretores de sustentabilidade apresentem uma justificação empresarial tão rigorosa como a de qualquer outra decisão de investimento, seja em resiliência, inteligência artificial ou na transição como um todo. As organizações que encaram isto como uma oportunidade de crescimento, e não como um exercício de conformidade, serão as que estarão na dianteira quando os resultados forem finalmente apurados”, afirma Katharina Beumelburg, diretora de Sustentabilidade e Novas Tecnologias da Heidelberg Materials.

 

 

 

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