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Dívida pública portuguesa pode disparar com inação climática

Estudo da New Economics Foundation diz que impactos das alterações climáticas podem elevar a dívida portuguesa em mais de 200 pontos percentuais até 2070. Investimento climático precoce reduziria significativamente esse risco, apontam autores.

09 Mar 2026 - 12:12

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Foto: Adobe Stock/Andrii Yalanskyi

Foto: Adobe Stock/Andrii Yalanskyi

A dívida pública de Portugal e da União Europeia (UE) poderá disparar nas próximas décadas se os impactos das alterações climáticas não forem abordados com investimento público antecipado. Um novo estudo do ‘think tank’ britânico New Economics Foundation (NEF) conclui que, até 2070, ao manter as políticas atuais, a dívida portuguesa poderá ficar 230 pontos percentuais (p.p.) acima de um cenário sem impactos climáticos.

A análise parte das projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que indicam que o produto interno bruto (PIB) de Portugal poderá mesmo cair 14% até 2050 e 20% até 2070. Ao integrar os efeitos económicos do aquecimento global, incluindo danos físicos, menor crescimento económico e aumento dos custos de financiamento, o modelo aponta para uma pressão significativa sobre as finanças públicas.

Mesmo num horizonte mais próximo, o impacto tende a ser expressivo. Até 2050, a dívida pública nacional pode ficar 72 p.p. acima de um cenário sem impactos climáticos, caso permaneça o atual nível de atuação política.

Porém, o relatório defende que se a UE avançar com investimento antecipado em mitigação e adaptação climática, os efeitos sobre a dívida seriam substancialmente menores. Nesse caso, a dívida portuguesa ficaria 57 p.p. acima do cenário de referência em 2050 e 86 p.p. em 2070.

A previsão mais favorável surge quando o investimento europeu é combinado com uma cooperação internacional mais ampla. Nesse caso, a dívida de Portugal seria apenas 6 p.p mais elevada em 2050 e poderia mesmo ficar 19 p.p. abaixo do cenário de referência em 2070.

Custos climáticos já são visíveis

Os autores sublinham que os impactos climáticos já estão a traduzir-se em custos económicos concretos para o país. O verão de 2025 registou uma época de incêndios particularmente severa na Península Ibérica, com cerca de 260 mil hectares ardidos em território português, cinco vezes mais do que o habitual até ao início de setembro.

No sul do país, a seca estrutural no Algarve tem obrigado a medidas de emergência para garantir o abastecimento de água. Um estudo publicado em 2022, citado pela NEF, evidencia que a Península Ibérica atravessa o período mais seco em pelo menos 1.200 anos.

Mais recentemente, a sequência de tempestades no final de janeiro deixou milhares de pessoas sem eletricidade e causou prejuízos estimados em 755 milhões de euros, destruindo habitações e infraestruturas, incluindo troços da principal autoestrada do país (a A1). O relatório considera que eventos extremos como estes obrigam a despesas públicas avultadas para reconstrução e apoio às comunidades, pressionando ainda mais as contas públicas.

Investimento verde pode reduzir custos futuros

Para os autores, a resposta passa por acelerar o investimento público em energia limpa, infraestruturas resilientes e eficiência energética. Este tipo de investimento pode aumentar a produtividade económica e reduzir os custos associados aos danos climáticos.

Ao mesmo tempo, o relatório reconhece que o reforço do investimento verde exigirá maior recurso ao endividamento no curto prazo. Ainda assim, argumenta “a inação coloca a dívida em trajetórias explosivas, enquanto uma ação precoce e globalmente coordenada evita riscos orçamentais relacionados com o clima”.

Entre as medidas analisadas está também a introdução de tributação progressiva, como um imposto sobre grandes fortunas, que poderia gerar cerca de 213 mil milhões de euros por ano à UE e ajudar a financiar a transição climática.

Portugal entra nesta análise com indicadores orçamentais mais favoráveis do que no passado recente. Em 2024, o país registou um excedente orçamental de 0,5% e reduziu o rácio da dívida pública para 93,6% do PIB. A tendência de descida da dívida levou ainda a agência Fitch a subir o ‘rating’ da dívida soberana portuguesa para “A” em setembro de 2025.

Apesar disso, os autores defendem que as atuais regras orçamentais europeias continuam demasiado focadas em metas numéricas de dívida e défice, sem considerar plenamente os riscos económicos associados às alterações climáticas.

Por isso, o estudo conclui que “estabilidade climática é estabilidade orçamental”, elencar que “as regras orçamentais e a governação económica da Europa devem agora evoluir para refletir esta realidade, integrando o risco climático, apoiando o investimento público produtivo, implementando tributação justa e alinhando as políticas monetária e orçamental para construir estabilidade duradoura”.

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