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Espanha mais dependente de gás para estabilizar rede após apagão ibérico
País é um dos que tem a eletricidade mais barata da Europa, graças às energias eólica e solar, mas depois do apagão de 28 de abril a dependência do gás para estabilizar a rede fez disparar custos.
03 Out 2025 - 08:11
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Madrid | Foto: Freepik
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Madrid | Foto: Freepik
O avanço das energias eólica e solar está a transformar o mercado elétrico espanhol, reduzindo de forma significativa o peso das centrais a gás e a carvão e tornando Espanha um dos países com eletricidade mais barata da Europa, evidencia a última análise da Ember. Contudo, após o apagão ibérico de 28 de abril, a maior dependência do gás para estabilizar a rede elétrica fez disparar os custos.
A maior dependência da energia a gás para estabilizar a rede representou 57% do preço da eletricidade em maio, quatro vezes mais do que no ano anterior. Levou também a um aumento acentuado do desperdício de energia renovável, que triplicou nos meses seguintes ao apagão, de 1,8% nos dois anos antecedentes para 7,2% entre maio e julho de 2025, refere o estudo.
Desde 2019, a influência das centrais fósseis no preço da luz caiu 75%, um ritmo mais rápido do que em países como Itália ou Alemanha. No primeiro semestre de 2025, o preço grossista da eletricidade em Espanha foi 32% inferior à média europeia.
A Ember sublinha que, apesar do sucesso na produção limpa, Espanha continua atrasada no reforço das redes e no armazenamento de energia. É o quarto maior mercado elétrico europeu, mas ocupa apenas o 13.º lugar em capacidade de baterias. O Governo promete agora acelerar os investimentos para garantir uma rede mais resiliente e menos dependente do gás.
“Espanha corre o risco de voltar a depender do gás caro, no meio de receios após o apagão. Reforçar as redes e as baterias ajudará Espanha a libertar-se definitivamente da dependência dos combustíveis fósseis”, conclui o analista sénior de Energia na Ember, Chris Rosslowe.
O apagão de 28 de abril deixou quase 60 milhões de pessoas sem luz durante horas e foi considerado o maior da história moderna da Europa. Depois do sucedido, Portugal e Espanha pediram à União Europeia para apoiar novos projetos de interconectores, ao acreditar que este reforço pode evitar episódios semelhantes no futuro. A Ember garantiu noutro estudo que, sem interconectores, a Europa poderia ter sofrido mais dois grandes apagões nos últimos cinco anos.
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