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Península Ibérica é mais sensível a apagões do que outros países europeus
Sem interconectores, a Europa poderia ter sofrido mais dois grandes apagões nos últimos cinco anos, e o apagão ibérico poderia ter sido ainda mais severo, garante estudo.
30 Set 2025 - 13:38
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Portugal e Espanha são mais vulneráveis a apagões do que qualquer outro país europeu devido à limitação das conexões com a rede continental, diz um estudo recente da consultora de energia Ember. O apagão de 28 de abril, que deixou quase 60 milhões de pessoas sem luz durante horas, foi considerado o maior da história moderna da Europa. Depois disso, os países ibéricos pediram à União Europeia para apoiar novos projetos de interconectores, ao acreditar que este reforço pode evitar episódios semelhantes no futuro.
O estudo garante que, sem interconectores, a Europa poderia ter sofrido mais dois grandes apagões nos últimos cinco anos, e o apagão ibérico poderia ter sido ainda mais severo. Cerca de 55% do sistema energético do bloco está limitado no que toca à importação de eletricidade, aumentando o risco de apagões. Espanha, Irlanda e Finlândia estão particularmente expostas devido ao escasso apoio dos vizinhos no caso de falhas na rede.
Foram várias a causas que conduziram a este evento, uma delas a distribuição limitada e desigual da geração convencional que deixou a rede em sobretensão, como averiguou a consultora económica Compass Lexecon em agosto. Será divulgado em outubro um relatório final da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E).
Em agosto, o Governo português lançou um plano para fortalecer a segurança do sistema elétrico nacional, ao estimar melhorias e a modernização da rede, com um investimento de 137 milhões de euros.
Apenas 10 minutos após a luz faltar, a primeira linha elétrica França-Espanha foi revigorada, seguida da ligação com Marrocos e outras com a França. O relatório prova, deste modo, que os interconectores foram fundamentais para reestabelecer o sistema ibérico de eletricidade. Com o auxílio de unidades hidráulicas e a gás, a restauração total na península foi concluída por volta das 4h da manhã de 29 de abril, cerca de 16 horas após o incidente.
Os interconectores europeus já conseguiram prevenir três apagões nos últimos cinco anos, realça a Ember. Se não fosse pela troca transfronteiriça de eletricidade com vizinhos da União Europeia, também a Ucrânia e a Moldávia teriam encarado perdas acentuadas de energia face à invasão russa.
“A infraestrutura energética da Europa está sob ataque, com a campanha de guerra híbrida da Rússia a intensificar-se a cada dia. Os interconectores constituem a espinha dorsal da segurança energética, protegendo a Europa contra falhas na rede e ameaças geopolíticas. Quanto mais interligações tivermos e melhor protegermos a nossa infraestrutura existente, mais seguros estaremos perante sabotagens. A expansão e a segurança das redes europeias devem ser tratadas não como uma prioridade energética, mas como um elemento vital da proteção da sociedade europeia contra ataques”, declara o diretor do Programa Europeu da Ember, Pawel Czyzak.
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