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Especialistas alertam que exigências regulatórias estão a tornar-se um obstáculo para PME e investimentos globais

Debate na Conferência “Green Finance” evidencia que a transição verde avança, mas enfrenta obstáculos técnicos, económicos e geopolíticos que dificultam a sua implementação.

27 Nov 2025 - 14:28

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Foto: Jornal PT Green

Foto: Jornal PT Green

Vários especialistas do setor empresarial alertaram para a crescente complexidade das práticas ESG e para os desafios que estas colocam, sobretudo às pequenas e médias empresas (PME), num painel da Conferência “Green Finance” do Jornal PT Green, nesta quinta-feira.

Sobre o tema “Inovação Financeira e Mercados Verde”, André de Almeida Santos, da Indico Capital Partners, destacou que, apesar da expansão das políticas ESG, as emissões “continuam a aumentar” e existe uma “dedução tecnocrata” do que é considerado correto. Segundo o especialista, a ambição de monitorização está envolvida em tensões difíceis de conciliar: “O que é bom para o ambiente pode não ser bom para o social”. Nas PME, a carga de reporte tornou-se tão exigente que já ameaça a sobrevivência de algumas empresas, alertou.

A Europa está a atingir os seus limites internos de redução de emissões, explicou o CFO da Secil, Carlos Correia de Barros, ao identificar que “a dificuldade está fora da Europa, porque, a partir de certo ponto, se o nosso vizinho não está a reduzir as emissões, nós também não o conseguimos fazer. A seu ver, já se está a prepara o investimento no exterior, mas ainda falta um enquadramento regulatório claro para o permitir.

Também João Gouveia Carvalho, head of corporate ficance da EDP Global, destacou obstáculos em mercados estratégicos como os EUA. “Notou-se uma saída, mas não ao ponto de afetar o investimento e a procura. Sinto que começa a haver algum alargamento a outros mercados, especialmente ao asiático, neste último ano”, partilhou.

A administradora da Fundação Gulbenkian, Cristina Casalinho, sublinhou que, apesar da crescente maturidade empresarial, “ainda não há um padrão comum e consensual” a nível global. A China e Europa continuam a seguir quadros de financiamento verde distintos, e as métricas regulatórias permanecem instáveis. Salienta que “o caminho está certo, mas provavelmente o cenário que achávamos que ia ser tão rápido não o será. Não é que não vá acontecer, mas vamos ter de arranjar mecanismos regulatórios mais consensuais”.

A preocupação social dos jovens foi outro ponto mencionado pela administradora, ao identificar que a estabilidade laboral e habitação continuam a ser prioridades muito acima da sustentabilidade, que surge apenas em oitavo lugar numa lista de 10. Este é um dos desalinhamentos, argumenta, precisa de ser resolvido para que o financiamento verde avance. Apesar disso, a rentabilidade continua a ser o fator decisivo. “A sustentabilidade vai ter de deixar de ser uma “excentricidade” e passar a ser parte do financiamento, afirmou.

Ao contrário do que se fala no setor, “não existe um green premium”, sobretudo em áreas pouco financiadas como a economia azul, aponta também André de Almeida Santos. Para o especialista, a mudança necessária é de natureza sistémica.

A discussão deixou claro que, enquanto o caminho da sustentabilidade está traçado, o ritmo e o modelo de implementação ainda enfrentam fortes barreiras, tanto regulatórias como económicas.

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