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Gases com efeito de estufa atingem máximos históricos em 2025
A poucas semanas da Conferência do Clima, a OMM revela dados que mostram que a concentração média global de CO₂ à superfície equivale a 153% do nível de referência pré-industrial.
29 Out 2026 - 07:00
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As concentrações de dióxido de carbono (CO₂) e de outros gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera atingiram níveis sem precedentes em 2025, comprometendo o planeta com um aumento da temperatura a longo prazo, revela um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Os dados apresentados poucas semanas da Conferência do Clima, que vai decorrer de 9 a 20 de novembro na Turquia, indicam que a concentração média global de CO₂ à superfície foi de 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, o equivalente a 153% do nível de referência pré-industrial de 1750. As concentrações de metano e de óxido nitroso, o segundo e o terceiro GEE de longa duração mais associados às atividades humanas, também aumentaram para novos máximos históricos.
“Mais um ano, mais um novo recorde. Os gases com efeito de estufa estão a reter uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, fornecendo energia para fenómenos meteorológicos mais extremos e para os riscos associados às nossas economias e sociedades”, afirma a secretária-geral adjunta da OMM, Ko Barrett, sobre o Boletim sobre Gases com Efeito de Estufa da OMM. E acrescenta: “Os últimos 11 anos foram os mais quentes de que há registo e esta tendência deverá continuar. O CO₂ tem um tempo de permanência muito longo e, por isso, afetará o clima global não apenas durante anos, mas também durante décadas e até séculos”.
O boletim apresenta dados sobre as concentrações de GEE, ou seja, a quantidade de gás que se acumula na atmosfera, e não sobre as novas emissões anuais. Segundo a OMM, cerca de metade do CO₂ emitido anualmente permanece na atmosfera, sendo a restante parte absorvida pelos ecossistemas terrestres e pelos oceanos.
Quando o boletim foi publicado pela primeira vez, em 2004, a concentração média anual de CO₂ era de 377,5 ppm.
GEE a crescer
As taxas de crescimento do CO₂ triplicaram desde a década de 1960, passando de um aumento médio anual de 0,8 ppm para 2,4 ppm por ano na década de 2011 a 2020.
O metano, responsável por cerca de 16% do efeito de aquecimento provocado pelos gases com efeito de estufa de longa duração, permanece na atmosfera durante muito menos tempo do que o CO₂. Aproximadamente 35% do metano emitido para a atmosfera tem origem em fontes naturais, como as zonas húmidas, que também são sensíveis ao clima. Cerca de 65% provém de fontes como a pecuária, o cultivo de arroz, a exploração de combustíveis fósseis, os aterros sanitários e a queima de biomassa. Segundo o relatório, a concentração média global de metano atingiu 1948 partes por mil milhões (ppb) em 2025, o equivalente a 267% do nível de 1750.

Imagem: OMM
Já o óxido nitroso, o terceiro gás com efeito de estufa de longa duração, provém tanto de fontes naturais como de atividades humanas, incluindo a queima de biomassa, a utilização de fertilizantes e diversos processos industriais. A concentração média global de N₂O atingiu 339,1 ppb em 2025, mais 126% do que em 1750.
Emissões fazem aumentar aquecimento
Recorde-se que entretanto já foi divulgado o Emissions Gap Report 2026, o relatório anual das Nações Unidas que traça o caminho global para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e que dita o tom da discussão na COP, concluindo que já não é possível limitar o aquecimento global a menos de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais sem ultrapassar primeiro esse limiar.
Assim, são necessárias “reduções urgentes e rigorosas” das emissões de gases com efeito de estufa para minimizar a magnitude e a duração da ultrapassagem deste limiar e regressar a 1,5 °C até ao final do século, concluiu esta análise.
O relatório analisa um cenário de ultrapassagem do limiar de 1,5 °C tão reduzida quanto possível, no qual o aquecimento atinge um pico de 1,7 °C a 1,8 °C por volta de meados do século e a temperatura global regressa a 1,5 °C ou a valores inferiores até 2100, com uma probabilidade de cerca de 50%.
Para seguir esta trajetória, as emissões globais de gases com efeito de estufa teriam de diminuir 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre por comparação com os níveis de 2025. Em contrapartida, a aplicação integral dos contributos determinados a nível nacional (NDC, na sigla inglesa) reduziria as emissões apenas entre 5% e 8% até 2030 e entre 11% e 15% até 2035, face aos níveis de 2025.
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