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Universidade de Évora estuda adaptação da alfarrobeira ao clima do Alentejo

Investigação decorre no âmbito do projeto ALCAROB – “Aplicabilidade da cultura da alfarrobeira na sustentabilidade da agricultura no Alentejo”. Objetivo é apoiar a instalação de futuros pomares.

28 Out 2026 - 16:13

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Foto Pixabay

Dark brown legume seed pods hanging from a tree with orange and yellow autumn leaves against a blue sky.

Foto Pixabay

Investigadores da Universidade de Évora (UÉvora) estão a testar 10 variedades portuguesas de alfarrobeira para perceber quais se adaptam às condições do Alentejo, o que pode abrir ‘caminho’ a futuros pomares na região, divulgou a instituição.

Em comunicado, a universidade alentejana explicou que as variedades de alfarrobeira, tradicionalmente associada ao Algarve, estão a ser testadas num campo experimental no concelho de Évora.

A investigação decorre no âmbito do projeto ALCAROB – “Aplicabilidade da cultura da alfarrobeira na sustentabilidade da agricultura no Alentejo”, coordenado por Hélia Cardoso, do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da UÉvora.

O trabalho, que quer perceber como é que estas 10 variedades portuguesas de alfarrobeira respondem às condições edafoclimáticas do Alentejo, já apresenta resultados, disse a academia alentejana.

“As variedades não respondem todas da mesma forma ao frio e aos episódios de geada”, assinalou, explicando que os resultados preliminares do estudo, obtidos no âmbito de uma tese de doutoramento financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, “mostram que algumas variedades apresentam níveis elevados de tolerância à geada”.

A descoberta, realçou, “pode ser particularmente relevante num contexto em que os agricultores procuram culturas capazes de suportar condições ambientais cada vez mais exigentes”.

A UÉvora apontou que “a questão não é apenas saber se a alfarrobeira consegue crescer fora do Algarve, mas perceber que variedades devem ser plantadas em cada região e que material vegetal poderá garantir pomares mais produtivos, homogéneos e previsíveis”.

“Não basta expandir a cultura. É necessário saber qual o material vegetal mais adaptado a cada território”, frisou.

A partir desta investigação, poderão ser identificados “os genótipos mais adequados a diferentes condições”, possibilitando a criação de “uma base científica para uma eventual expansão da cultura para o Alentejo e, em determinadas zonas, também para outras regiões de Portugal”.

Ao mesmo tempo, também a empresa Microplant, uma ‘spin-off’ da Universidade de Évora especializada na propagação de plantas, desenvolveu uma técnica que permite produzir, em laboratório, clones de genótipos masculinos de alfarrobeira, com potencial utilização como porta-enxertos.

A empresa consegue produzir “plantas geneticamente uniformes, abrindo caminho a futuros pomares mais previsíveis”, vincou.

O trabalho desenvolvido pela Microplant “tem ainda outra particularidade: os genótipos masculinos clonados poderão ser utilizados como porta-enxertos, mas as plantas masculinas têm também um papel essencial no próprio pomar: produzir pólen para assegurar a polinização das variedades femininas”.

E a empresa, acrescentou a UÉvora, “está numa fase avançada do desenvolvimento de procedimentos para a produção clonal de plantas femininas, selecionadas a partir de árvores produtivas identificadas no Alentejo”.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

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