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Investigadores descobrem recifes de coral resistentes às alterações climáticas
Novo estudo encontrou recifes resistentes à alterações climáticas em 71 países e em mais de 100 territórios, incluindo áreas como as Caraíbas, o Pacífico e o Atlântico. Para os investigadores, "a oportunidade é evidente, assim como a urgência".
16 Jun 2026 - 18:02
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Foto: Freepik
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Um grupo de investigadores identificou cerca de 166 mil quilómetros quadrados (64 mil milhas quadradas) de recifes de coral capazes de sobreviver e recuperar das alterações climáticas, um valor três vezes superior ao que se estimava anteriormente, revelou um estudo divulgado pela Reuters nesta terça-feira.
O estudo analisou 45 mil levantamentos de recifes de coral e encontrou recifes resistentes em 71 países e em mais de 100 territórios, incluindo áreas como as Caraíbas e os oceanos Pacífico e Atlântico.
Os recifes de coral do mundo, que sustentam um quarto de toda a vida marinha, têm estado sob forte pressão devido a tempestades tropicais intensas, poluição e fenómenos de branqueamento em massa causados pelo aumento das temperaturas dos oceanos.
“Os recifes de coral são frequentemente apresentados como ecossistemas para além de qualquer possibilidade de salvação”, afirmou Emily Darling, diretora de conservação de corais da Wildlife Conservation Society (WCS) e uma das autoras do relatório, à Reuters.
“Esta investigação mostra o contrário: sabemos onde está a esperança e o que precisamos agora é de vontade política”, acrescenta a investigadora.
Segundo a Reuters, os países estão atualmente a elaborar planos de ação destinados a colocar 30% dos seus territórios terrestres e marinhos sob proteção formal até ao final da década, uma meta conhecida como “30 por 30”, que Portugal também adotou. Neste sentido, esta nova investigação irá permitir aos governos que considerem a localização destes recifes nos seus processos de planeamento.
“Atualmente, apenas 28% destes recifes se encontram em áreas protegidas e conservadas. A oportunidade é evidente, assim como a urgência, sobretudo perante a aproximação de um evento de Super El Niño”, afirma Emily Darling, de acordo com a Reuters.
Relembre-se que o El Niño é um fenómeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico. Segundo dados de Maio de Organização Meteorológica Mundial, há uma probabilidade de 80% de ocorrer um novo episódio de El Niño entre os meses de junho e agosto de 2026.
Stacy Jupiter, coautora do estudo e diretora executiva do Programa Global Marinho da WCS, afirma em comunicado à Reuters que os dados podem fornecer aos governos a informação necessária para decidir “onde aplicar recursos financeiros limitados, aumentando as hipóteses de sobrevivência dos recifes mais resilientes”.
“Em determinados casos, quando os recifes estão abaixo de certos níveis de referência para o funcionamento do ecossistema, poderá ser necessário fazer uma triagem, o que significa que talvez tenhamos de abandonar esses locais”, conclui a cientista.
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