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Moçambique instala de projeto de gás para produzir 5 mil toneladas de biodiesel de coco por ano

A infraestrutura deve ter capacidade aproximada para produzir 5.000 toneladas anuais de biodiesel B100, incluindo unidades de extração e refinação de óleo vegetal, centros de recolha de matéria-prima e uma rede de agregadores locais.

09 Set 2026 - 11:06

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

O consórcio do projeto Mozambique LNG pretende instalar em Palma uma unidade industrial para produzir 5.000 toneladas anuais de biodiesel de coco para as operações de gás natural, apostando na agricultura e emprego em Cabo Delgado.

A iniciativa, conforme edital do concurso para a instalação a que a Lusa teve hoje acesso, integra a estratégia de descarbonização desenvolvida pela TotalEnergies EP Mozambique Area 1 (TEPMA1), responsável pelo projeto Mozambique LNG, e prevê a criação de uma cadeia local de produção de biocombustível de baixo carbono a partir de coco proveniente de agricultores da região de Palma, em Cabo Delgado.

Para avançar com a componente agroindustrial, a TEPMA1 lançou um procedimento de manifestação de interesse destinado a selecionar empresas, investidores ou consórcios para financiar, conceber, construir, deter e operar uma unidade integrada de produção de biodiesel de coco no modelo “Finance-Build-Own-Operate”.

Segundo a documentação consultada pela Lusa, a infraestrutura deverá ter capacidade nominal aproximada para produzir 5.000 toneladas anuais de biodiesel B100, incluindo unidades de extração e refinação de óleo vegetal, centros de recolha de matéria-prima e uma rede de agregadores locais.

O projeto prevê que o Mozambique LNG funcione como comprador âncora da produção através de um contrato de aquisição de longo prazo, num modelo concebido para assegurar a viabilidade comercial da iniciativa e promover a sustentabilidade da cadeia de valor do coco.

A TEPMA1 refere ainda que a produção de biodiesel deverá ser alimentada por matéria-prima adquirida a pequenos agricultores locais em condições consideradas justas e certificadas, integrando uma estratégia mais ampla de desenvolvimento agrícola já em curso na região.

De acordo com a empresa, a iniciativa inclui viveiros, apoio técnico e assistência a mais de 3.000 agricultores, bem como a plantação de mais de 440.000 mudas de coqueiro, procurando simultaneamente reforçar os rendimentos das comunidades e garantir fornecimento sustentável de matéria-prima.

O objetivo é produzir combustível de baixo carbono para abastecimento das operações do Mozambique LNG, ao mesmo tempo que se criam oportunidades de emprego, rendimento e atividade económica associadas ao processamento e comercialização dos derivados do coco.

O projeto de gás Mozambique LNG, desenvolvido na Área 1 da bacia do Rovuma, retomou oficialmente em janeiro deste ano, após quase quatro anos de suspensão devido à insegurança provocada pelos ataques armados em Cabo Delgado.

Segundo a TotalEnergies, o empreendimento encontra-se atualmente quase 50% concluído e mobiliza entre 7.000 e 8.000 trabalhadores no estaleiro de Afungi, norte de Moçambique.

Na apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026, o presidente executivo da petrolífera francesa, Patrick Pouyanné, afirmou que o projeto continua a avançar em linha com o objetivo de iniciar a produção de gás natural liquefeito (GNL) em 2029.

Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), o Mozambique LNG deverá produzir até 13 milhões de toneladas anuais de GNL quando entrar em operação, integrando um conjunto de megaprojetos destinados a explorar as vastas reservas de gás natural descobertas na bacia do Rovuma, entre as maiores do mundo.

Moçambique tem atualmente três grandes projetos aprovados para exploração destas reservas. O Coral Sul FLNG, liderado pela italiana Eni, produz desde 2022, enquanto o Coral Norte, aprovado em 2025, deverá duplicar a capacidade de liquefação daquela concessão a partir de 2028. Já o Rovuma LNG, da Área 4, liderado pela ExxonMobil, prevê uma capacidade de produção de 18 milhões de toneladas anuais após 2030.

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